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Dialética
da Inveja - Olavo de Carvalho
Nota
do Domínio Feminino
Publicado
no Domínio Feminino
Coordenação editorial: Berta Ataíde
01,
Junho/2002
Por
que "Mascaras da Inveja" ou "As mil e
uma faces da inveja"
Conceito
e História das Máscaras
Conceito de Inveja
Diferença entre inveja,
e a luta para a conquista do bem-estar
Inveja e Ética
Dialética
da Inveja
- Olavo de Carvalho
Aforismos
Inveja e Folclore
Conceito
e História das Máscaras
O
dicionarista Aurélio, no verbete máscara, apresenta os seguintes
dados: "Da mesma origem. controversa que o espanhol. máscara, o
italiano. maschera e o francês. masque; possessivo. do árabe. mashara
(tradução), 'coisa ou pessoa ridícula'; (personagem de) comédia';
'máscara' ( raiz sahira, 'ridicularizar'); ou do baixo.-latim. masca,
'demônio'; 'representação de demônio'. Objeto de cartão, pano ou
madeira, que representa uma cara, ou parte dela, e destinado a cobrir
o rosto, para disfarçar a pessoa que o põe No sentido figurado.
é a aparência enganadora; disfarce: É um egoísta, com a máscara
da abnegação poros, revitalização, etc.)".
No teatro,
a expressão fisionômica do ator, refletia o estado
emocional da personagem que ele interpretava tais como a atitude
corporal, as inflexões, o comportamento cênico etc.
No teatro
grego, "as duas máscaras fundamentais a da tragédia
e a da comédia nasceram do mesmo culto dionisíaco".
Assim como é a reprodução estilizada do rosto
humano ou animal, esculpida em barro, madeira, cortiça, papelão,
e guarnecida de pêlos, cores, etc., com que os atores cobrem
o rosto, ou parte dele, na caracterização de suas
personagens. Usado, sobretudo nas primitivas manifestações
dramáticas, e nos antigos teatros greco-romano e oriental,
sendo o personagem-tipo de determinado gênero teatral. O Arlequim,
a Colombina, o Pantaleão e o Briguela são algumas
das máscaras da "commedia dell'arte".
As máscaras
eram as vezes usadas pelas pessoas como passaporte para mundos imaginários.
Na África,
as máscaras foram criadas pelos artistas das tribos e usadas
em ritos religiosos. Essas máscaras não representavam
faces normais, mas sim exageradas, sendo normalmente de madeira,
cobre ou marfim, e no Antigo Egito as máscaras eram usadas
em sacrifícios cerimoniais. As múmias eram mascaradas,
antes do enterro, com máscaras adornadas de pedras preciosas.
Os Esquimós,
no Alasca, acreditavam que cada criatura tinha uma dupla existência,
e podia mudar para a forma de um ser humano ou animal, bastando
querer. Assim, as máscaras esquimós eram, normalmente,
feitas com duas faces uma de um animal e outra de um humano. Em
certas fases de algumas cerimônias festivas, a máscara
exterior era levantada, expondo a outra máscara.
Os nativos
americanos, da parte noroeste dos Estados Unidos, usavam máscaras
numa cerimônia anual em que choravam os mortos. Os homens
representavam os fantasmas dos mortos com máscaras pintadas
e decoradas com penas e ervas. Os nativos americanos do sudoeste
dos Estados Unidos, os Hopi, e os Zuni entre outros, usavam, novamente,
máscaras para adorar os seus mortos.
No Brasil,
as tribos faziam e usavam máscaras representando animais,
aves e insetos.
Na Ásia,
as máscaras eram também usadas para cerimonias religiosas,
e mais tarde, para funções sociais, tais como casamentos,
e diversos divertimentos.
Na antiga
Grécia e Roma eram usadas para festivais e teatros, foi onde
começou o uso das máscaras para fins artísticos.
Com o fim da antiga civilização Romana, as máscaras
cairam em desuso. Os primeiros Cristãos atribuíram
o uso de máscaras a cultos pagão, tornando-as quase
ilegais.
O novo
uso das máscaras na América veio com o fluxo de imigrantes
da Europa, principalmente como brinquedos das crianças e
para bailes e celebrações mascaradas.
A máscara,
historicamente falando, foi um adereço cênico do teatro
grego.
No dicionário
de Psicologia de Henri Pieron, o verbete máscara, tem o designativo
de persona e vem com a seguinte conceituação: "Máscara
que simula a individualidade e dá, tanto aos outros como
a si próprio, a ilusão da individualidade, embora
só se trate de uma máscara de "psique coletiva"
que representa um papel" (Jung,1923).
Como dito,
o titulo as "máscaras da inveja" dado ao presente
"estudo-ensaio", longe de terem similitude nas "máscaras
sociais", ou "papeis sociais", que no caso serve
para exprimir as nuanças típicas sociais, enquanto
que as "máscaras da inveja" assumem, sob forma
de acobertamento, os invejosos para não permitir que á
pessoa invejada perceba o invejoso que tem o dom de camuflar.
O termo
personalidade usava-se no latim clássico, apenas, para designar
persona. Todos os eruditos admitem que essa palavra originalmente
significava máscara. Todavia, persona, mesmo antigamente,
passou a significar outras coisas entre as quais o ator colocado
atrás da máscara que as usavam para caracterizar o
personagem, e também para ampliar o som da voz do ator, "personare".
A máscara
é, pois, um artefato que caracteriza um aspecto superficial
e falso.
O ser humano
quando pratica atos que deseja ocultar a sua identidade, como a
inveja, usa simbolicamente a "mascara", o que levou Oscar
Wilde a escrever que "o homem quase nada diz, quando fala em
seu nome, dêem-lhe uma máscara, e ele dirá a
verdade".
Nos tribunais,
quando alguém vai testemunhar e quer ocultar a sua identidade
usa uma máscara, ou quando em algum outro evento em que deseja
ocultar a sua real identidade.
As Máscaras
foram introduzidas no baile de máscaras, pelo papa Paulo
II (1464-1471 ), cujo nome era Pedro Barba, rico veneziano que queria
diversão para a sua gente. Adquiriram forças nos séculos
XV e XVI, por influência da "Commedia dell'Arte".
Na Corte de Carlos VI foram sucesso e, ironicamente, esse rei foi
assassinado numa festa que estava fantasiado de urso por um outro
mascarado. Foram também usadas nas festas religiosas, como
a Epifania (Dia de Reis).
Em Veneza
e Florença, no século XVIII, as damas elegantes da
nobreza utilizavam-na como instrumento de sedução.
Em 1834, o gosto pelo uso das máscaras se acentuou na França,
e eram confeccionadas em cera muito fina ou em papelão, simulando
caras de animais, caretas, entre outros.
As fantasias
apareceram logo após o surgimento das máscaras.
O mascarado
ficava no completo anonimato, sendo, em muitos casos, difícil
discernir-se o seu sexo ocultando-se assim a sua condição
social. No Carnaval em Veneza as máscaras atingiram uma sofisticação
maior, e uma das máscaras mais procuradas, era a tradicional
"bauta" (máscara branca em forma de bico), completada por
um chapéu de três pontas, o "tabarro" (casaco largo),
e uma capa preta de seda cobrindo os ombros e o pescoço,
que recria o nobre veneziano nas suas deslocações
incógnitas aos casinos, reuniões secretas e moradas
de amores ilícitos sendo uma forma de ocultar a verdadeira
identidade.
O Carnaval
Cristão inicia o seu desenvolvimento do (século VI
d.C. ao século XVIII d.C. ), quando a Igreja Católica
oficializou o carnaval, em 590 d.C., e adquiriu as suas características
básicas, na Renascença. Terminou no século
XVIII, quando um novo modelo de carnaval (pós-moderno) começa
a se delinear.
Os mascarados
em Portugal se aproveitavam da máscara para que, no Entrudo,
pudessem desenvolver atitudes ilícitas, o que aconteceu sobretudo
durante os reinados de Afonso VI (1656-1667) e João V (1706-1750).
De nada adiantavam as reações contrárias da
Igreja criando o "Jubileu das 40 horas" , ou os editais de
proibições de 1817. Até o terremoto que quase
destruiu toda Lisboa, em 1755, o Entrudo não diminuiu. Somente
ao final do século XIX houve uma reação mais
efetiva contra o Entrudo, com a criação de outras
formas de brincar o Carnaval, na qual os mascarados pediam dinheiro
pelas ruas, e para pouparem as suas vitimas das brincadeiras maldosas
que abusavam na sua investida, e as vítimas nada podiam fazer
pela ocultação que a máscara oferecia.
As máscaras
na Renascença foram incentivados por Felipe, o Belo(1478
- 1505) que costumava usar máscaras no Carnaval.
O costume
do uso de máscara se estendeu de tal maneira que, no século
XVIII, em Veneza tornou-se, quase um hábito diário
e o exagero chegou a tal ponto, que homens, mulheres e crianças
viviam permanentemente mascarados, o que estimulou o crime, impossibilitando
a polícia de identificar os marginais. Em conseqüência,
o uso diário de máscara foi proibido e os venezianos
passaram a se mascarar só durante o carnaval, o que, aliás
chegava a durar um mês. O Carnaval italiano chegou a ser o
mais famoso da Europa, e foi descrito por GOETHE [1], em 1788 para
assistir ao carnaval romano, escrevendo a respeito um texto admirável,
no livro Viagem à Itália.
A permissividade
dos mascarados, muitas vezes, permitia irromper em casas particulares
com a ocultação do rosto que máscara permitia
.
Psicologicamente
o mascarado não é uma pessoa autêntica, pois
deseja se ocultar na máscara para dar expansão aos
seus atos, que de forma aberta não teria condição
de os realizar. O seu usuário passa a ser uma pessoa falsa
que teme evidenciar a sua identidade.
Esconder
o rosto sob uma máscara, é um recurso falso de efetuar
ações que sem ela não seria possível
.
Hoje ela
foi substituída pelo capuz (que são os encapuzados,
quer dos praticantes de crimes, quer aqueles que desejam manter
o anonimato nos depoimentos como acusadores , ou como testemunhas).
Em suma,
a máscara é um instrumento de ocultação
da verdadeira identidade, e o invejoso, dentro do simbolismo, a
usa constantemente .
Conceito de Inveja
Diferença entre inveja,
e a luta para a conquista do bem-estar
Inveja e Ética
Aforismos
Inveja e Folclore
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Conceito
de Inveja
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A inveja,
segundo o Dicionário Aurélio, é o "Desgosto
ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem Desejo violento de possuir
obem alheio"
É
muito elucidativa a descrição de Inveja escrita por
Ovídio [2]:
"A
Inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol.
Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais
de acende o fogo, há sempre trevas espessas(...) . Assiste
com despeito aos sucessos dos homens e este espetáculo a
corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma,
e este é seu suplício".
O ser humano
é portador da díade "Existir-Sobreviver",
daí ter um instinto de competição voraz e antropofágica,
que é a competição terrível de idéias,
sentimentos e prazeres . Tal competição o leva a níveis
altos de tensão, que gera o distresse (estresse maligno),
causador de moléstias graves de caráter psicossomático.
As pessoas
vão para escola não apenas com o intuito de se educar,
mas também para competir na vida, e isto é completamente
equivocado, considerando-se que as escolas estimulam a competição,
nem sempre salutar, não preparando os alunos para a grande
realidade da vida, que é o fato que sempre, numa luta, deve
haver um vencedor e um perdedor, e o ser humano deve ter no seu
arsenal psíquico instrumentos compatíveis para se
reestruturar, por ocasião de uma derrota, e não armazenas
requintes de ódio que é o primata da inveja, um dos
sentimentos que pode causar grandes malefícios ao ser humano.
A aversão
à inveja é milenar, pois ela sempre foi desdenhada
entre todos os sentimentos humanos. É a vilã contumaz
das histórias, trazendo consigo a devastação
e a catástrofe.
Entre os
sete pecados capitais, muitos a citam como a mais complexa das manifestações.
É por causa da inveja que surgiram os amuletos, frases, rezas
e outros procedimentos mágicos, de forma explicita ou por
meio de racionalizações sutis.
Mesmo assim,
uma pessoa razoável é capaz de admitir com pudor,
ter alojado sentimentos claramente invejosos em determinadas situações
da vida, principalmente quando hostiliza e se entristece com a sucesso
do outro, lamentando a vitória de um rival.
Basta sentirmos
uma alegria singela, um progresso discreto, uma vitoria modesta
e lá vem o descrédito de nossa capacidade, por julgar
injusto ou insuficiente o nosso sucesso e temer que ele desencadeie
alguma desgraça pela inveja dos outros.
Se a pessoa
melhora, vem a inveja e estraga, conforme a superstição.
Ela zomba do nosso mérito, desdenha nossa virtude, desvaloriza
nossas qualidades, exulta com nossos defeitos, corrói nossa
bondade. Sob sua influência, deixamos de combater as frustrações
para atacarmos justamente as fontes de satisfação
e prazer. Ao pagar o bem recebido com o mal venenoso, ficamos à
beira da ingratidão, da injustiça e da traição.
Por onde a inveja passa, não cresce nada. Com um currículo
desses, ninguém se dispõe a defendê-la, nem
tampouco a conhecer seus métodos e suas tramóias,
como faríamos como um vírus mortal. Descobri-la, camuflada
em nosso inconsciente, como um espião inimigo, faz-nos pensar
somente em dar-lhe um fim rápido e definitivo. Tentar extinguir
a inveja é, além de inútil, bastante perigoso.
Só faz estimular seu apetite de desmancha-prazeres e ainda
cria a ilusória impressão de havê-la derrotado
de uma vez por todas coisa humanamente impossível.
Geralmente,
apesar da estima que se tem por alguém e se este tiver "status",
a inveja cavilosamente se instala, como produto de comparação,
com as outras pessoas, sendo pois uma auto-aversão pelo fato
do invejoso não ser igual aos outros.
Diferença entre inveja,
e a luta para a conquista do bem-estar
Inveja e Ética
Aforismos
Inveja e Folclore
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Diferença
entre inveja,
e a luta para a
conquista do bem-estar.
Não
deve ser confundido o fato de uma pessoa lutar para conquistar o
objeto de desejo, e pela conquista dos seus ideais quando feito
com ética. Este eu competitivo está muito enraizado
dentro de nós. Se passarmos a viver a vida com uma forma
de competição regrada, com certeza aproveitaremos
e muito as oportunidades que termos, e mesmo diante do fracasso
saberemos reconquistar o elã pela luta sem o teor da inveja
pela vitória do outro. A vida não é uma competição,
e sim um aprendizado para a nossa própria auto-superação.
Devemos aprender que os fatos em si não derrotam ninguém,
e sim a forma de como reagimos aos fatos. Devemos aprender com as
dificuldades, este é a nossa melhor academia psicológica.
Existe,
entretanto, no invejoso uma compulsão de que se uma pessoa
se destaca em alguma atividade, por mais simples que possa parecer,
ele está sempre pronto para criticar e tentar minimizar o
sucesso de seu próximo.
Um sentimento
de raiva, de ira, se apossa geralmente do invejoso porque ele sente-se
o merecedor da conquista da outra pessoa, achando que ela invadiu
o seu território, não atinando para a sua incapacidade
ou inércia, sendo capaz de boicotar, de "fofocar"
ou de preparar armadilhas, a fim de destruir o outro, para provar,
ao menos hipocritamente para si mesmo, que ele é melhor,
embora no seu íntimo, sente-se menor do que os outros.
Se vangloria,
enaltece-se, fala excessivamente bem das próprias coisas,
pois dessa forma abranda o mal-estar do desequilíbrio, procurando
diminuir o outro através de crítica. Não percebe,
muitas vezes, as suas frustrações, e é como
se não existisse, porque logo está pronto para realizar
mais um feito de diminuição, de descaracterização,
burlando suas próprias angústias.
Geralmente,
as mulheres exteriorizam mais esse sentimento do que os homens.
Se a surpresa
diante de algo for digna e generosa, não há inveja
destrutiva, tratando-se, apenas, de um incentivo e estímulo
para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir melhores
trabalhos, realizar melhores conquistas de vida.
Talvez
esse processo venha da convivência no ambiente familiar, onde
comparações são freqüentes, sem contar
que a mídia propaga processos agressivos de comparação
entre as várias marcas dos produtos apresentadas.
A melhor
solução pode estar na forma de utilizar e de encarar
a inveja, que visualizada em termos comparativos pessoais de evolução,
do antes e depois, do ontem e do hoje, deixa de ser inveja destrutiva
para ser uma inveja de auto-estímulo, isto é o padrão
de comparação deixa de ser externo e passa a ser interno.
O não
invejoso vê no objeto de desejo, a satisfação,
quando conquista por méritos próprios, e não
quando é feita em cima da conquista do outro, através
de métodos anti éticos de destruição.
Inveja e Ética
Aforismos
Inveja e Folclore
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Inveja
e Ética
Os invejosos
estão sempre provocando, escarnecendo e criticando àqueles
que invejam, e quando a patologia chega aos extremos, chegam a praguejar,
desejando ao invejado as piores desgraças. Se não
podem fazê-lo diretamente, o fazem através de outros
(falando mal, denegrindo, desvalorizando), mas sempre com a certeza
de que estarão atingindo seu alvo. Um exemplo disso é
aquele tipo de pessoa que inveja a inteligência e a tranqüilidade
de outra pessoa, e então põe-se a critica-la até
que ela perca a calma. O invejoso não consegue encontrar
o que elogiar, ou valorizar nos outros, assim como é comum
encontrar sempre uma razão para duvidar daqueles que estão
à sua volta com o objetivo de derrubá-los. A pessoa
invejosa acha tão difícil suportar que o outro tenha
alguma coisa boa que ele não pode reconhecer ou usar aquela
pessoa como modelo.
Podemos
ver isso surgir por ocasião da inveja que ocorre entre os
estudantes no qual o invejoso esconde objetos quando não
os rasga para que o colega invejado possa ser prejudicado no projeto
escolar.
A história
da raposa e das uvas aplica-se ao invejoso que não podendo
lograr a posse do objeto de outro o destrui com pensamentos, palavras
e ações.
Aforismos
Inveja e Folclore
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Inveja:
Aforismos
"Podemos descrever o nosso ódio,
o nosso ciúme, os nossos medos, as nossas vergonhas, mas
não a inveja", Francesco Alberoni ·
"A Inveja nasceu no homem desde
o princípio"
É melhor ser invejado do que
lastimado" HERODOTO (485?- 425?), Histórias, III
"Oh envidia, raiz de infinitos
males e carcoma de las virtudes! Todos los vivios, Sancho, traen
un no sé qué de deleite consigo: pero el de la envidia
no tal sino disgusto, rancores y rabias"Cervantes, Don Quiojote
·
"Nosso alvo na vida deveria ser não
o de ultrapassar os outros, mas o de ultrapassar a nós mesmos",
Baboc
"A emulação é
a paixão das almas nobres; a inveja, o suplício das
almas vis", Jean François Marmontel
"A inveja é um tácita
declaração de inferioridade", Napoleão
"A inveja procede da vangloria"
Aristóteles, Retórica, 2, c9 ,n5
"A Inveja é a tristeza
em relação aos sucessos dos outros", S. Tomás
de Aquino
"O bem alheio é considerado
um mal próprio" S.Tomas de Aquino, Suma Teologica II-II,q.36,a2
"Ninguém elogia com boas
intenções", Unamuno
"A Inveja é a ejaculação
dos olhos", Francis Bacon
"O ciúme é a posse
obstinada, enquanto que a cobiça é o desejo desenfreado
e a inveja é o resumo de todas as maledicências humanas"
"Os invejosos podem ser considerados
os "sacerdotes" do culto involuntário do mérito"
"Enquanto o invejado sobe os
píncaros da glória o invejosos sobem o calvário
das lamentações"
"Se você se comparar com
os outros, você se tornará presunçoso e magoado,
pois haverá sempre alguém inferior e alguém
superior a você", DESIDERATA
"Para o ser pensante nada é
realmente digno de inveja", Schpenhauer.
"Somos obrigados a acreditar e
na sorte. Afinal, sem ela, como explicar o sucesso das pessoas que
detestamos" J.Cocteau
"A virtude neste mundo é
sempre maltratada; os invejosos morrerão, mas a inveja é
poupada" – Molière ·"A inveja honra os mortos para
insultar os vivos", Claude-Adrien
"Os que fazem bem são os
únicos que mereceriam ser invejados, se não houvesse
ainda uma mais vantajosa solução, que é fazer
melhor que eles", La Bruyère
"Nunca um invejoso perdoa ao mérito",
Pierre Corneille
"A inveja é mais irreconciliável
do que o ódio", Rochefoucauld
"No ciúme, há mais
amor-próprio do que amor", Rochefoucauld
"O ciúme nasce sempre com
o amor, mas nem sempre morre com ele", Rochefoucauld
"Há invejosos que parecem
de tal forma acabrunhados pela nossa felicidade que até quase
nos suscitam a veleidade de os lamentar", Jules Goncourt
"O que torna a dor do ciúme
tão aguda é que a vaidade não pode ajudar-nos
a suportá-la", Stendhal
"Um pouco de ciúme desperta
um amor feliz que arrefece", Madame de Deshoulières
"É impossível exprimir
a perturbação que o ciúme causa a um coração
em que o amor ainda se não tenha declarado", Madame
de La Fayette
"Os ciumentos encontram sempre
mais do que aquilo que procuram", Madeleine de Scudéry
"A inveja é uma das poucas
maledicência do homem que consegue fazer os pais invejarem
os filhos e vice-versa"
"A Inveja dura sempre mais tempo
do que a felicidade do invejado"
·"A inveja, além de não
permitir a felicidade que se quer ter, tira a que se tem"
"O invejoso sofre duplamente pela
glória e pela desdita do outro"
"A ferrugem consome o ferro e
o enfraquece, e a inveja pelas projeções dos maus
sentimentos dos invejosos o faz contrair um sem numero de doenças"
"A inveja de todos os males é
a que se presta a ser a mais dissimuladora"
"A inveja tem uma grande máscara
que é o despeito"
"O invejoso envelhece por invejar
a juventude dos outros"
"Enquanto o invejado goza pelas
benesses da vida o invejoso se estafa pela grandeza do outro"
"A Inveja é como a serpente que silenciosamente mata"
"A Inveja surge como um torpedo
direcionado contra as pessoas que nos cercam" "A inveja
é a traça do talento"
"Onde mora a inveja, não
pode habitar a virtude"
"A inveja é a mascara do
louvor afetado pela adulação e a bajulação"
"A inveja é uma doença
na qual o invejoso se locupleta mais na desgraça do outro
do que no seu sucesso"
"A inveja é tão
desdenhosa que sempre necessita usar máscara"
"O amigo certo na hora incerta
até que faz parte de um principio de solidariedade em hora
pouco comum, mas o que é raro é o amigo que se solidariza
e suporta o sucesso do outro"
"O Sucesso de alguém passa
a ser para o invejoso como ofensa pessoal"
"A sorte de fulano é tão
grande, acho que nasceu com a quina prá lua"
"O invejoso não ama porque
é egoísta"
"O invejoso vive de braços
dados com a infelicidade e a tristeza"
"O invejoso só procura
tirar vantagens de tudo e de todos"
"O invejoso irritado, revoltado
e impaciente se contrapõe a caridade"
"O invejoso como o jogador de
bumerangue recebe toda a desdita da sua própria maldade"
Inveja e Folclore
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Inveja
e Folclore
O Mau Olhado está na própria
constituição etimológica da palavra Inveja.
Em latim, Invidere tem essa
conotação e significa olhar de soslaio, ou com mau-olhado.
Também denominada de olho gordo, ou olho grande, é
um dos projetos que a Igreja atribui ao demônio para "infectar
com o mal" a quem olha. Certas pessoas têm, nos olhos,
o poder de fazer murchar as plantas, adoecer as pessoas, fazer com
que os negócios dos outros não dêem certo.
Essas pessoas têm mau-olhado
ou olhar de "seca-pimenta". Para combate-lo , usam-se
de pulseiras, ou colares com figas, meia-luas, corcundas, elefantes,
feitos de madeira, metal, osso, ou outros tipos de amuletos, dependendo
da respectiva cultura. Há pessoas que não sabem se
são, ou não, portadoras do mau-olhado. Quando elas
acham um menino bonito, por exemplo, dizem: "Que menino bonito,
benza-te Deus e afaste o mau-olhado". Mas, quando está com
mau-olhado, triste, melancólica, sem achar graça em
nada, o remédio que tem é chamar uma benzedeira, geralmente
uma mulher de meia idade que, com um galhinho de arruda numa das
mãos, vai rodeando a pessoa com mau-olhado e rezando. E quando
termina a reza, o galhinho de arruda está murcho e a pessoa
curada.
O povo acredita que a figa é
um dos mais eficientes amuletos contra o mau-olhado. Representa
a mão humana em que o polegar está colocado entre
o indicador e o médio. A figa também é conhecida
no Brasil pelo nome de "isola" (do verbo isolar), porque
afasta a força das coisas ruins que nos possam acontecer.
Quando alguém morre, o hábito
de fechar os olhos dos mortos, além de ser um uso universal,
não deixa de ter sentimentos supersticiosos, como é
o caso de alguns povos antigos que punham moedas no local dos olhos
dos mortos para que permanecessem fechados e não pudessem
lançar seus olhares invejosos para os vivos; o escritor búlgaro
Canetti refere-se aos mortos como alguém "cheios de
inveja daqueles que deixaram para trás", principalmente
quando sofrem longa agonia.
Amuletos, das mais diferentes espécies,
quer trabalhados pela mão do homem, ou arrancados da floresta
como as plantas de arruda, guiné, alecrim, "espada de
S. Jorge", "comigo-ninguém-pode" etc..., nada
mais são do que elementos de "defesa" contra a
inveja.
Os ritos africanos são todos
eles voltados para "cortar" o mal originado de pessoas
invejosas portadoras de mau-olhado.
Na Divina Comédia Dante concentrara
o castigo divino nos olhos, situando os invejosos no segundo patamar
do Baixo-Purgatório, envoltos em cilicio que era uma pequena
túnica ou cinto ou cordão, de crina, de lã
áspera, às vezes com farpas de madeira, que, por penitência,
se trazia vestido diretamente sobre a pele, colados numa parede
rochosa e com as pálpebras costuradas com fio de aço.
A figa data do império romano
que fechavam a mão e enfiavam o dedo polegar indicador era
para afastar a inveja.
Entre os judeus as tefilins e os mezuzás
são símbolos de proteção contra a inveja.
Os folcloristas, etnólogos,
etnógrafos escreveram tratados sobre o uso de objetos, símbolos,
sinais etc. com o único intuído de afastar a tenebrosa
inveja.
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NOTA da Editora:
Tendo em vista ser este um texto acadêmico, seguindo ABNT,
para apresentação, Domínio Feminino efetuou
algumas alterações gráficas para não
tornar o texto cansativo, por conseguinte, pouco atraente à
leitura dos internautas leigos interessados apenas no conteúdo
das informações. Essas alterações, absolutamente,
em nada altera o referido conteúdo.
Os profissionais da área que
desejarem leitura fiel, quanto a estrutura do documento, visitem
o link:
http://psicologia.org.br
— Academia Brasileira de Psicologia —A B P
Sobre o Autor
Prof. Dr. ROQUE THEOPHILO, Psicoterapeuta,
Sociólogo, Pesquisador e Professor Universitário.
Visite www.psicologia.org.br
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