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Ilustres senhores parlamentares: Vossas Excelências podem
votar, se quiserem, essa porcaria de lei que proíbe criticar
o homossexualismo. Podem votá-la até por unanimidade. Podem
votá-la sob os aplausos da Presidência da República, da ONU,
do Foro de São Paulo, de George Soros, das fundações internacionais
bilionárias, do Jô Soares, do beautiful people inteiro.
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Clodovil diz que
a mulher é feia e que não serve
nem para ser prostituta. Clodovil é homossexual,
mas há uma classificação
para cada "jeito" de ser homossexual;
Gay ou viado, ou bicha.
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Não
vou cumpri-la.
Não
vou cumpri-la nem hoje, nem amanhã, nem nunca.
Por
princípio, não cumpro leis que me proíbam de criticar ou elogiar
o que quer que seja. Nem as que me ordenem fazê-lo.
Não
creio que haja, entre os céus e a terra, nada que mereça imunidade
a prioricontra a possibilidade de críticas. Nem reis, nem
papas, nem santos, nem sábios, nem profetas reivindicaram
jamais um privilégio tão alto. Nem os faraós, nem Júlio César,
nem Átila, o huno, nem Gengis Khan ambicionaram tão excelsa
prerrogativa. O próprio Deus, quando Jó lhe atirou as recriminações
mais medonhas, não tapou a boca do profeta. Ouviu tudo pacientemente
e depois respondeu. As únicas criaturas que tentaram vetar
de antemão toda crítica possível foram Adolf Hitler, Josef
Stálin, Mao-Tse-Tung e Pol-Pot. Só o que conseguiram com isso
foi descer abaixo da animalidade, igualar-se a vampiros e
demônios, tornar-se alvos da repulsa universal.
Nada
é incriticável. Quanto mais o simples gostinho que algumas
pessoas têm de fazer certas coisas na cama.
Nunca
na minha vida parei para pensar se havia algo de errado no
homossexualismo. Agora estou começando a desconfiar que há.
Nenhuma coisa certa, nenhuma coisa boa, nenhuma coisa limpa
necessita se esconder por trás de uma lei hedionda que criminaliza
opiniões. Quem está de boa intenção recebe críticas sem medo,
porque sabe que é capaz de respondê-las no campo da razão,
talvez até de humilhar o adversário com a prova da sua ignorância
e má-fé. Só quem sabe que está errado precisa se proteger
dos críticos com uma armadura jurídica que aliás o desmascara
mais do que nenhum deles jamais poderia fazê-lo. Só quem não
tem o que responder pode pedir socorro ao aparato repressivo
do Estado para fugir da discussão. E quanto mais se esconde,
mais põe sua fraqueza à mostra.
Sim,
senhores. Nunca, ao longo dos séculos, alguém rebaixou, humilhou,
desmascarou e escarneceu da comunidade gay como Vossas Excelências
estão em vias de fazer.
As
pessoas podem ter acusado os homossexuais de fingidos, de
ridículos, de tarados, de pecadores. Ninguém jamais os qualificou
de tiranos, de nazistas, de inimigos da liberdade, de opressores
da espécie humana. Vossas Excelências vão dar a eles, numa
só canetada, todas essas lindas qualidades.
Depois
não reclamem quando aqueles a quem essa lei estúpida jura
proteger se tornarem objeto de temor e ódio gerais, como acontece
a todos os que tomam de seus desafetos o direito à palavra.
Quem,
aprovada a PLC 122/ 06, se sentirá à vontade para conversar
com pessoas que podem mandá-lo para a cadeia à primeira palavrinha
desagradável? Os homossexuais nunca foram discriminados como
dizem que o são. Graças a Vossas Excelências, serão evitados
como a peste.
(
* ) Olavo de Carvalho é
filósofo e escritor. Artigo originalmente publicado
no JORNAL DO BRASIL nesta data.
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