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         Padrões éticos na vida pública


           Por Leônidas Zelmanovitz ( * )
           26, Dezembro/2006

 

Comentário de Jorge Geisel

O Partido Trabalhista Inglês, quando na oposição, criou o que ficou conhecido como "Os sete princípios (éticos) na vida pública", são eles:

desinteresse (detentores de cargos públicos devem servir ao interesse público, não procurar ganhos para seus amigos);
integridade (eles não devem se colocar em situação de dependência financeira de pessoas que podem influenciar suas decisões);
objetividade (eles devem nomear vencedores em licitações e em concursos públicos por mérito);
transparência (eles devem permitir um adequado escrutínio das suas ações);
abertura (eles devem adequadamente justificar suas decisões);
honestidade (eles devem evitar situações de conflito de interesse);
liderança (eles devem apoiar esses princípios com o exemplo pessoal).

 

Mesmo na Inglaterra, onde a sociedade cobra mais dos seus governantes do que no Brasil, segundo o Editor do The Economist, após 4 anos de governo Trabalhista é impossível rever esses princípios sem um sentimento um tanto cínico. No referido editorial casos picantes acontecidos recentemente são tratados e é sustentada a posição da revista contrária ao financiamento público das campanhas, baseando essa posição, na injustiça que é os contribuintes financiarem partidos com os quais eles não se identificam,no risco de “institucionalização” dos partidos, eufemísmo, para dizer que as burocracias partidárias vão passar a viver às custas do dinheiro arrancado a força da sociedade com os impostos e na constatação que em paises onde isso ocorre, a corrupção continua. Porém, o que chamou minhaatenção foi a constatação, útil para compreender nossas mazelas, que as pessoas são iguais em toda a parte. Decorre dessa constatação que quando se busca atingir resultados socialmente desejáveis, as regras de organização social devem ser desenhadas aceitando esse fato. Os princípios propostos pelos trabalhistas partem da realidade, precisam é ser colocados em prática. Entre as óbvias conclusões dessas premissas estão o princípio da subsidiariedade e que a melhor forma de alinhar os interesses individuais com os coletivos é a instituição da propriedade privada.

Quando resultados positivos é o objetivo, o que puder ser feito pelo estado não deve ser feito pela federação, o que puder ser feito pelo município não deve ser feito pelo estado e o que puder ser feito tendo alguém pessoalmente responsável pelo seu sucesso ou fracasso (dono) é melhor que “socializar” o resultado pelo município. Mas além disso, podemos refletir como no Brasil, os intrumentos de controle dos agentes públicos são falhos. Capazes que sejam os membros e funcionários dos Tribunais de Contas, como instituições de controle, eles são uma gota no oceano, não há verdadeiramente transparência. O acesso da imprensa e de membros de outros poderes aos atos dos governantes são difíceis, para dizer o mínimo, como recentemente aqui no Rio Grande do Sul ficou demonstrado, não há abertura e portanto, podemos supor, que também não há honestidade. Uma sociedade verdadeiramente democrática não se faz com alquimias destinadas a dar um lustro de participação popular às decisões tomadas pelo Poder Executivo. Vale lembrar que o orçamento é uma lei e que como toda lei, deveria ser de iniciativa do Legislativo. O Legislativo por sua vez, deveria ser composto por representantes proporcionalmente eleitos pela população, com voto distrital, como nos Estados Unidos, onde o executivo assessora o legislativo na elaboração da lei orçamentária e onde o aprimoramento da Democracia Representativa se faz, como na Inglaterra, com a cobrança pelos cidadãos da utilização dos princípios éticos propostos pelos trabalhistas, na vida pública.

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Sobe

 

 

 

 

 

 

Leônidas Zelmanovitz é Advogado e Membro da Mont Pèlerin Society. Ex-Presidente do Instituto Liberdade.
http://www.il-rs.com.br/quemsomos2004.htm

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