Aqui no Brasil, essa palavra não é
muito conhecida, entretanto, nos EUA, é muito popular e se
trata de um transtorno do humor que a psiquiatria nomeou como,
Distimia.
É uma depressão crônica, leve e persistente,
que não chega a ser profunda como a depressão uni ou bipolar.
Como pode aparecer na infância ou adolescência, a pessoa que
sofre desse transtorno e seu círculo familiar, social, que
desconhecem esse distúrbio, podem perfeitamente julgar como
sendo uma característica, um modo de ser do indivíduo.
Profissional, social e familiarmente,
o distímico, geralmente, é visto como estraga-prazer, "aquele
chato", ranzinza, reclamão, de mal com a vida, baixo-astral,
pessimista, e outros apelidos lhe são atribuídos por vários
motivos, entre eles, o de estar permanentemente "na fossa".
Para o distímico ou distímica (atinge
3% da população mundial, sem distinção de sexo, idade ou nível
socioeconômico), exemplificando, ganhar um prêmio na loteria
é um grande drama. Para qualquer situação que se apresente,
ele vai enxergar primeiro o lado ruim e na maioria das vezes
"passa batido" pela parte boa. É infeliz o tempo todo.
É muito difícil trabalhar ao seu lado
porque, além de ser excessivamente crítico, tem um nível de
exigência muito alto, tanto para consigo mesmo como para com
os outros. Todo trabalho que faz ou que seus companheiros
de profissão apresentam, nunca está suficientemente bom, sempre
acha que poderia ter sido feito de uma outra forma ou melhor,
mas se mudar também não vai estar bom.
Com a família também acontece a mesma coisa, é frustrante para
sua companheira, pois dificilmente conseguirá agradá-lo, está
sempre mau humorado.
Freqüentemente,
deixa de sair de casa para o lazer em família porque naquele
restaurante a fila certamente estará enorme e a comida vai
fazer mal; se for para a praia, o trânsito estará horrível,
o pneu do carro poderá furar, pode, também, ser assaltado
ou seqüestrado enquanto troca o pneu. Se nada disso acontecer
e chegar à praia são e salvo, jurará a todo o momento que
irá pegar uma insolação, uma queimadura de terceiro grau ou
que vai chover, e por aí segue... Ele é tão chato que há horas
em que nem ele se agüenta.
Essa
é uma doença de diagnóstico definido recentemente pela OMS
(Organização Mundial de Saúde). Estudos já comprovaram um
déficit de serotonina na pessoa portadora de distimia, mas
apesar de apresentar alguns sintomas parecidos com a depressão:
perda de interesse, angústia e pessimismo, diminuição de concentração,
cansaço, tristeza, distúrbio do sono e do apetite, não é severa
e totalmente incapacitante como ela. É uma depressão mais
leve e constante, havendo dias que se aproxima de um humor
normal.
O
portador consegue levar (arrastar) a vida, mas se o transtorno
não for tratado com o tempo pode se agravar, o que, conseqüentemente,
desembocará em um isolamento social, o afastamento de amigos,
desentendimentos familiares e dificultará seu desempenho profissional.
Geralmente,
é razão de ordem profissional-social e familiar que o estimula
buscar tratamento, pois o mau humor constante, a baixa auto-estima,
a incapacidade de sentir prazer pelas coisas da vida, insegurança,
amargura, são vivências desagradáveis que acontecem há tanto
tempo que o distímico coloca na conta de um "seu jeito de
ser".
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