Significado psicológicos e como
o
mesmo funciona na depressão e tristeza.
Outro
tema desprezado pela psicologia ao longo de sua história se
refere à questão dos elementos psicológicos do choro. É interessante
como uma reação fisiológica e psíquica, presente em quase
todos os distúrbios comportamentais e de personalidade, não
mereceu a atenção devida no decorrer dos trabalhos psicológicos
apresentados. O choro é inicialmente a mais pura admissão
de um processo de tristeza ou consternação, sendo que com
o mesmo, a pessoa desiste do hábito arraigado em nossa cultura
da dissimulação e constante tentativa de mostrar que se é
forte do ponto de vista pessoal perante seus semelhantes.
O choro mostra a maneira mais límpida de como revelamos nosso
íntimo para os outros, e se há um sentido positivo com esta
atitude. É exatamente neste ponto, que devemos tratar o choro
como um fator selecionador, tentando o separar de fatores
neuróticos envolvidos em tal descarga afetiva.
Chorar
compulsivamente é uma tentativa inesgotável da fixação na
mais profunda dependência emocional, desejando a regressão
a uma etapa infantil da vida, a fim de se obter todo o afeto
negado, se travando um duelo entre a carência emocional que
clama por toda a atenção, juntamente com as tarefas afetivas
da pessoa no atual momento de sua vida, que infelizmente se
recusa a realizar. A mensagem é clara: não há pressa no crescimento
e amadurecimento, apenas um protesto infindável pelo não reconhecimento
de sua pessoa por parte principalmente de seus pais, ou ainda
um velório interminável de suas pendências passadas, reclamando
toda à atenção do meio para seu imenso sofrimento, priorizando
a autocomiseração e desamparo.
Para
este tipo de personalidade que eleva o choro a categoria de
um deus, a sua felicidade pessoal é a eterna esperança de
receber aquilo que jamais pode usufruir, sendo que acaba não
percebendo que o amor ou afeto sempre será algo atual, pois
do contrário, o tédio e revolta inundam por completo o arcabouço
emotivo da pessoa, caso a mesma se fixe quase que em absoluto
nas imagens passadas. A pergunta básica é: O que fazer para
determinada pessoa que vive rodeada de fantasmas passados
possa retomar concretamente sua afetividade? Como eliminar
seu implacável julgamento negativo? Em outros trabalhos, sempre
realcei que a neurose em determinado momento se transforma
numa espécie de "entidade" à parte, tomando por completo a
personalidade do indivíduo. É algo quase que inesgotável do
ponto de vista energético. Um exemplo disto é a patologia
da anorexia nervosa, onde a pessoa nunca terá a certeza de
estar em conformidade com os padrões estéticos impostos não
apenas pelo social, mas por si própria, definhando por completo
para que receba um elogio tão distante para sua autoestima.
A atenção pessoal no caso em questão, assim como no choro
compulsivo, está voltada para o universo masoquista, forçando
o meio ambiente no reforço desta conduta neurotizada, pois
se acostumou a obter atenção emocional apenas desta forma.
O problema maior não é apenas a perda do orgulho pessoal,
mas a ausência da percepção de que a forma de nutrição emocional
que utiliza é um emaranhado neurótico, pois acaba sempre envolvendo
pessoas muito mais debilitadas que o próprio sujeito imbuído
do complexo do choro, sendo que o gozo das mesmas é o testemunho
constante do sofrimento alheio.
O
choro conduz fielmente ao ponto central da depressão e tristeza,
ou apenas é uma fuga da ansiedade, ou das experiências dolorosas
de abandono e esquecimento do sujeito perante o meio social?
Se diariamente notamos uma total insensibilidade do meio que
nos cerca, não será esta representação psíquica uma espécie
de último apelo para que outros desenvolvam algum afeto para
com a pessoa? Parece que esta energia afetiva estacionária
é como um último forte na defesa dos cuidados emocionais que
a pessoa sentiu nunca ter recebido, sendo que a demonstração
é sempre o apelo e a representação do sofrimento. Outra pergunta
que se faz necessária é: Que experiências emocionais desejamos
vivenciar? Dor, angústia, sofrimento, ou busca pelo prazer?
Obviamente quando não temos um sólido projeto emotivo, as
experiências passadas de frustração preencherão todos os espaços.
O tão propalado conceito de "inteligência emocional", nada
mais é do que a escolha da pessoa sobre qual tipo de afetividade
deseja vivenciar corriqueiramente: prazer ou exploração das
imagens inacabadas de tormento e dor.
Na
nossa sociedade atual de narcisismo, competição e culto à
superioridade pessoal, não deixa de ser curiosa à fixação
do choro na tentativa da conquista de benefícios afetivos.
Seria um processo inverso perante as expectativas de perfeição
exigidas? A resposta é negativa, pois o processo do choro
compulsivo é apenas a contraparte do esforço neurótico que
todos fazem para obter uma posição de destaque e primazia
perante o meio, sendo que o choro é uma espécie de "arranjo
psíquico", para que a pessoa não passe diretamente pela situação
da prova, como dizia o psicólogo Alfred Adler. A prova, para
o mesmo é a aceitação e confirmação da comunidade perante
o talento e importância individual do sujeito, e se o mesmo
sofre de um complexo de inferioridade ou impotência social
irá remanejar sua criatividade e potencial para uma descarga
afetiva interminável, adiando eternamente a exposição de seus
conteúdos íntimos perante o social.O choro é a antecipação
mórbida da crítica intolerável que a pessoa sente que jamais
conseguirá digerir. É fundamental a vivência terapêutica no
intuito do paciente perceber que a prova de sua sensilibidade
emotiva está direcionada contra o mesmo, sendo que deverá
aprender a usar sua energia disponível em atividades criativas
e prazerosas, evitando o represamento afetivo gerado pela
angústia e frustração diante de seu passado de carência.
"Temer
qualquer contato ou ajuda profissional, é viver numa espécie
de culto ao sofrimento".
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