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“Na visão
míope do estado brasileiro, nação e povo são apenas
pequenos detalhes sem nenhuma importância”.
(Ricardo Bergamini)
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Enquanto Estado designa a organização
de uma comunidade, a idéia de nação exprime esta comunidade em si
mesma, cuja unidade é vivida, reconhecida pelas consciências, fora
mesmo da ordem que o Estado aí faz reinar.
A pátria é, etimologicamente, a “pátria
terra”, terra dos pais, esse lugar da terra onde nascemos. A pátria
é um valor, certamente. Mas é preciso não sacrificar a esse valor
outros valores também preciosos. Não nos fiemos no nacionalismo,
caricatura do verdadeiro patriotismo. Não exijamos em nome do patriotismo,
que nossa pátria oprima injustamente os mais frágeis, sejam internos
ou externos. Existem valores de justiça, de verdade, que são valores
universais e que transcendem a todas as pátrias.
Nenhuma das figuras supracitadas é suficiente
para criar uma nação. A nação repousa, antes de tudo, sobre a vontade
de seus membros, sobre sua consciência e seu desejo de formar uma
nação. Foi o que disse Renan em uma página célebre:
“Uma nação é uma alma, um princípio espiritual.
Duas coisas que, verdadeiramente, não são mais que uma, constituem
essa alma... Uma está no passado, a outra no presente. Uma é a posse
comum de um rico legado de lembranças, a outra é o sentimento atual,
o desejo de viver em conjunto, a vontade de continuar a fazer valer
a herança que recebemos indivisas. Possuir glórias comuns no passado,
uma vontade comum no presente, haver realizado grandes coisas em
conjunto, querer realizar mais ainda, eis as condições essenciais
que formam um povo”.
Os árabes, por exemplo, possuem um sentimento
muito intenso de sua comunidade e formavam, de qualquer modo, uma
nação desde os tempos em que eram nômades.
Os Estados Unidos tomaram consciência
de si mesmos e surgiram como nação na guerra de independência contra
a Inglaterra.
Nação é imutável. Estado é mutável.
Vamos aproveitar o momento de grave crise
econômica, política, social e institucional que está vivendo o Brasil
para iniciarmos um movimento para construção de uma nação brasileira.
Para isso temos que abandonar definitivamente essa nossa visão míope
de grupos, falanges e patotas. Além de ser fundamental abandonarmos
também nossa visão mesquinha apenas do pecuniário e de vaidades
pessoais (títulos, cargos e patentes). Vamos doar nosso saber e
conhecimento para esse movimento, sem nada pedir em troca.
Fica o meu humilde e sincero apelo.
Vamos dar o primeiro passo, mesmo sabendo
que seremos humilhados e desprezados em um país onde é crime criticar
o “Grande Pai” (Estado Brasileiro) autoritário, ditatorial, falido,
perdulário e corrupto.
O autor é Professor de Economia.
rberga@tutopia.com.br
www.angelfire.com/sc3/ricardobergamini
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