A ÁGUA BRASILEIRA:
O OURO AZUL DE 2020
Flávio
Calazans*
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22, Março//2003
“A Biologia é, em sua maior
parte, a Ciência da água”
Fred Vles, Professor
de Física Biológica, Universidade de Strasburgo.
Toda
a vida neste planeta surgiu na água, e daí evoluiu nadando, depois
rastejando no lodo lamacento dos mangues de água salobra
para anfíbios, batráquios, répteis, mamíferos e você, leitor
humano.
A
Humanidade é uma palavra cuja origem etimológica tem relação com
a água, pois humano vem da palavra HUMUS,
terra molhada, e a Bíblia fala de Adão, nome que vem do hebraico
“Adamáh” que quer dizer barro vermelho, terra molhada.
As primeiras civilizações-cidades foram criadas por agricultores
à margem de rios: o Nilo no Egito, Tigre e Eufrates na Mesopotâmia,
Ganges na Índia, Reno na Alemanha, Tejo na península ibérica,
na China e tantos outros.
No Brasil, os pioneiros colonizadores subiram o rio Itanhaém
e fundaram vilas, depois os bandeirantes acompanharam rios como
o Tietê e o São Francisco, desenhando o mapa do Brasil
em desacato ao Tratado de Tordesilhas.
Pois 75% da área do Planeta está recoberta de água, porém,
97% desta água é salgada e imprópria para o consumo, sobra apenas
3% potável no Planeta Água que chamamos Planeta Terra...como disse
o cosmonauta russo Yuri Gagarin ao olhar pela janela da nave e
ser o primeiro humano a ver o planeta de órbita : “A Terra é azul
! ”
Vincent, no livro “A técnica da água” de 1960 afirmou que
: “A vida, da juventude à velhice, é uma desidratação. O recém-nascido
contém 85% de água, e o velho não contém mais que 60%”.
Juridicamente, a água é um bem natural de domínio público,
um recurso natural limitado, hidrogênio e oxigênio na fórmula
H2O, patrimônio público , e o Brasil tem a “Lei das Águas” (Lei
Federal n.433 de 08/01/97) inovando com o conceito ecológico de
“Desenvolvimento Sustentado” disciplinando a exploração dos recursos
hídricos (evitando que ocorra como na Ciudad do México, que excede
em 80% a capacidade de recarga dos seus recursos hidricos) .
O Direito à Água faz parte do Direito à Vida previsto na
Declaração dos Direitos do Homem, artigo 3, poluir rios é um Crime
contra a Humanidade, os países “Industrializados” do Hemisfério
Norte vem continuadamente cometendo Crimes contra a vida no Planeta
ao envenenar-poluir-sujar a água doce e potável, eles também emitem
gazes na atmosfera rompendo buracos na camada de ozônio e causando
o “Efeito Estufa” do aquecimento progressivo e gradual do planeta;
o declínio dos ecossistemas da água é o declínio da biodiversidade
e perda de biomassa e de recursos genéticos da biotecnologia e
dos remédios patenteados pelas mesmas multinacionais farmacêuticas
que poluem os rios, um lento processo suicida, tanático, da civilização
urbana.
Em 2000, 65% das internações hospitalares no mundo são
decorrentes de doenças ocasionadas e deflagradas por ingestão
de água não-potável, um custo elevado à Saúde Pública e causa
de consumo de remédios, ocupação de leitos e óbitos...as diarréias
são a SEGUNDA causa de mortes no Brasil,
e no planeta todo, a cada 14 segundos morre uma criança vítima
de patologias-doenças hídricas, água suja e poluída.
Dia 22 de março comemora-se o Dia Internacional da Água,
e em 1999 o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) publicou o relatório
“Planeta Vivo” alertando para a degradação dos ecossistemas e
alertando para a CRISE DA ÁGUA prevista
para 2020, (http://www.wwf.panda.org/livingwaters).
E em 2000,
26 países já sofrem escassez, racionamento e secas prolongadas; a água
além de hidratar o ar, matar a sede, banhar corpos suados, lavar
roupas e cozinhar alimentos, irriga plantações e sustenta rebanhos,
sendo imprescindível para a vida e para a manutenção do modelo
de civilização urbana.
A silvofobia, o medo do verde
do homem urbano o leva a asfaltar a terra, cimentar tudo, impermeabilizando
e levando as chuvas canalizadas para os esgotos-intestinos da
cidade, desperdício que isola o lençol freático subterrâneo desviando
rios, secando fontes e criando problemas em toda a área circunvizinha
da cidade (na Califórnia, por lei toda calçada é gramada e o meio-fio nunca
é impermeabilizado).
O Brasil possui cerca de 20% das reservas de água potável
do Planeta Terra inteiro,
e produz em 2000 a fartura de 45 mil metros cúbicos per capita, por
habitante, enquanto que no Continente da Europa há países que mal chegam a 2 mil
metros cúbicos por pessoa, e que aprenderam a administrar a escassez
com rodízios, e com a água dos banhos sendo re-direcionada e re-utilizada
nas descargas das privadas, e às vezes até reciclada, um alemão tem 40 vezes menos água que um brasileiro,
e um francês tem 30 vezes menos, Israel chega a ter 300 metros
cúbicos por habitante, contra estes 45 mil metros cúbicos de cada
um dos brasileiros que são ricos sem o saber.
São Paulo
oferece em 2000 cerca de aproximadamente
117 metros cúbicos de água por habitante ,
já em Londres, Paris, Nova York, Los Angeles e outras, nem chega
a 70 metros cúbicos por habitante , menos da metade .
Uma torneira pingando, mal fechada, consome 46 litros em
24 horas, um banho de imersão em banheira grande desperdiçado.
No Brasil, 70% da água potável, doce, está na Floresta
Amazônica, o Rio Amazonas é o maior do mundo em volume de água,
uma descarga no oceano de milhões de litros por dia, e no Planalto
Central, na Chapada Dos Veadeiros, surgem as nascentes das bacias
do Prata (Sul) do Amazonas (Norte) e do São Francisco (Leste),
independente disto há falhas graves na distribuição e continua
a “Seca no Nordeste” ocasionando migração interna-retirantes,
pobreza e superpopulação nos centros urbanos.
Já no Canadá, os navios petroleiros chegam cheios com petróleo
e voltam ao Kwait com os porões cheios de água, parte do pagamento,
um uso racional dos recursos exportando H2O,
a água é um produto, aceito como um bem econômico, um fator
competitivo no Marketing Internacional, um bem de consumo imprescindível
e insubistituível no mercado, uma atitude adulta e madura, um
enfoque administrativo dos recursos hídricos, ( estimado em US$
8,7 bilhões por ano, cerca de 26% do valor total das fontes econômicas
parcialmente renováveis) além de um elemento estratégico político-militar
(Veja-se a hidrelétrica da represa de Itaipú no Brasil , a qual, caso tenha as comportas abertas
desencadearia uma onda Tsunami gigantesca varrendo em uma inundação
todo o rebanho de gado e ovelhas das pastagens planas do norte
do Urugay e Argentina, em poucas horas destruindo as capitais
Montevideo e Buenos Aires , falindo suas economias e deixando
o Brasil como potência do Mercosul; é a água como “Arma de Guerra”, a “Bomba
D’Água Itaipú”, tal como já anteriormente fez Hamurabi , lá em
1.700 Antes de Cristo, abrindo as comportas sobre os sumérios
e o Dilúvio criou seu império e sua dinastia).
Até 2025 a cidade de New York precisará importar 100 petroleiros
de água por dia para abastecê-la, segundo previsão da própria
prefeitura, e dessalinizar não resolverá, pois lavar o carro ou
colocar água do mar, mesmo sem sal, nos encanamentos de metal
gera ferrugem e corrosão, implicando em alto custo de manutenção
e reposição-remendos dos vazamentos da preciosa e rara água.
O esgoto das cidades grandes é rico em estrume, fezes humanas,
que com pouco tratamento pode ser empregado para irrigação de
plantações e de pasto de gado e ovelhas, pois contém nutrientes
orgânicos diversos, e a água poluída que custa muito limpar e
reciclar pode ser administrada lucrativamente gerando alimentos.
Não se trata de racionamento, de poupar, e sim apenas e
tão somente de administrar cientifica e racionalmente os recursos
hídricos.
Richard Fleischer dirigiu o filme com Charleston Heston
“Soylent Green” (“No Mundo de 2020”) no qual o ecossistema falido
sequer plancton produzia, obrigando as cidades a recliclarem seus
mortos, num canibalismo institucionalizado causado pelos mares
e oceanos poluídos e a falta de água potável e de agricultura
e pecuária, ficção científica profética...pois 2020 a 2025 são
as datas previstas do auge da Crise da Água.
Navios japoneses
extraem gelo das geleiras do Polo Sul e derretem a água doce e
potável de milhões de anos atrás, da Era Glacial, um reservatório
caro, distante e que necessita derretimento, processamento industrial,
custo-benefício contraproducente, e a água potável continental
representa 3% de
água doce, os outros 97% são de água salgada.
Em 1972 os Sheiks Árabes subiram o preço do Petróleo
o OURO NEGRO de um dólar para 30
dólares o barril, criando uma crise econômica internacional, pois
estavam conscientes do seu poder
de barganha internacional; hoje seus cidadãos não pagam
impostos, não existe desemprego, são países ricos.
Em 2020 o petróleo, “OURO NEGRO”
será a água, a água será o “OURO
AZUL” do qual depende toda a vida, e o Brasil será
o maior produtor mundial.
Os Países Desenvolvidos-Industrializados-Poluidores das
Águas desta vez estão conscientes e preparados para evitar que
repita-se o mesmo fenômeno financeiro, discutem a “Internacionalização
da Amazônia” e preparam a opinião pública interna e internacional
para intervenção-invasão na Amazônia e no Pantanal, estudam a
troca de uma pequena parte dos juros da Dívida Externa brasileira
pela posse dos recursos hídricos brasileiros, e em Manaus a água
já foi privatizada para uma multinacional francesa desde 1999.
Finalmente, em 17 de julho de 2000 entrou em vigor a Lei
9.984 criando a “Agência Nacional de Águas” (ANA) a qual compete
formular a Política Nacional dos Recursos Hídricos, uma autarquia
com sede em brasília vinculada ao Ministério do Meio-Ambiente
, imune a pressões políticas e econômicas externas.
A biodiversidade dos ecossistemas brasileiros é uma verdadeira
“ARCA DE NOÉ”, um reservatório genético
de biomassa com uma infinidade de remédios esperando ser patenteados
pela biotecnologia farmacêutica multinacional, uma expoliação
criminosa dos recursos naturais brasileiros já em franco desenvolvimento
praticada pelos países ricos do Hemisfério Norte sem nada retribuir
à população brasileira que é obrigada a comprar seus remédios
patenteados de nossa própria flora e fauna por preços abusivos,
condenada à miséria com salários mínimos irreais, kafkanianos,
salário de fome; um tipo de feudalismo ou mesmo de escravidão
do Século XXI, uma ironia amarga e trágica, uma vergonha para
a espécie humana inteira.
Isto sem contar
o volume da água brasileiro, por exemplo, perto de Alto Paraíso
Chapada dos Veadeiros-Goiânia, há cachoeiras mágicas cujo solo
é forrado de cristais de todas as cores( violeta, vermelho, amarelo,
verde, transparente, etc) cujo campo vibracional eletrostático
confunde bússolas e obriga aviões a voarem por satélite. É onde
nascem as bacias do Rio São Francisco a Leste, do Prata ao Sul
e do próprio Amazonas ao Norte; todas as águas do Brasil nascem
aqui, um lugar de poder único neste continente e propício a batismo
místico, o local é chamado por certos círculos místicos como "A
Mãe das Águas".
Uma nova mentalidade deverá aos poucos surgir, uma Ética
da Água, uma Política da Água, um Direito da Água, uma Economia
da Água, a Ecologia da Água, tudo dependendo de uma mudança de
hábitos por meio de uma Educação para a ÁGUA,
passando pelo Direito à Informação, o direito de saber estes dados
todos e muitos outros mais aterrorizantes ainda, pesquise e verá
!
Em breve, muito em breve, todos os países vão estar “pedindo
água” para os brasileiros...ou será que já terão tomado à força
nossos recursos hídricos?...ou trocado por colares e espelhos
como fizeram com o nosso “PAU-BRASIL” a
primeira biopirataria!?!
Todos
veremos o fim desta história com data marcada: no máximo em 2025.
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