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AS DROGAS PÓS-MODERNAS
Conclusão

Maria Luiza Curti
luizacurti@dominiofeminino.com.br
Psicóloga clínica – 14/01733-1
mlcurti@uol.com.br
18, Maio/2002

 

"Tudo que sobe, desce. Além de ser uma lei básica
da física, é também um velho princípio da "rebordosa";
só que, contrariando a gravidade, o adicto quando desce,
é sempre muito abaixo do ponto de partida."
Jim Parker

 

Está ficando cada vez mais difícil encontrar, em nosso país, uma família que não tenha uma pessoa, mesmo que seja parente distante ou amigo, envolvida com drogas. Também está ficando cada vez mais difícil não identificar a droga por trás da maioria dos crimes que acontecem aqui.

Tomando como base os EUA que estão investindo 18,5 bilhões de dólares no combate às drogas e as pesquisas mostram que o consumo está em franco crescimento, ficamos nos perguntando: o que será de nós, que não dispomos nem de longe dos recursos dos países do primeiro mundo? As respostas estão nos meios de comunicações que nos trazem notícias da violência e dos crimes e na nossa convivência do dia-a-dia com o caos.

Nos EUA além das velhas drogas: inalantes, álcool, maconha, cocaína, heroína, anfetaminas, etc... surgiram as pós-modernas: as metas, que nada mais são que as velhas com muito mais potência.

As anfetaminas, em laboratórios clandestinos, transformaram-se em metanfetaminas como o Ecstasy que começou a ser difundido em pequenos círculos, ganhou mundo e hoje está se espalhando nas festas jovens do Brasil. A metanfetamina conhecida como Cristal, Ice e outros nomes, está aprontando horrores nas haves do Tio Sam. Timidamente já está despontando por aqui como estimulante para adeptos do vídeo-games, que assim passam dias e noites acordados jogando até a partida que pode culminar num ataque do coração.

O meta-narcótico derivado do ópio, OxyContin, cujo ingrediente ativo é o cloridrato de oxycodona, droga legal aprovada pelo FDA (órgão controlador de alimentos e medicamentos) como importante remédio para as terríveis dores dos pacientes de câncer terminal e outras doenças, está gerando a maior polêmica por lá, devido a grande ocorrência de overdose pelo abuso da droga e dos assaltos às farmácias em busca do remédio.

As opiniões se dividiram entre os que são partidários de que se continue fabricando o OxyContin, pois é eficiente no alívio da dor extrema, e os que querem sua proibição porque acham que foge ao controle. Enquanto os contras a droga agitam pesquisas sobre mortes por overdose e falam em epidemia, os favoráveis dizem que as pesquisas são discutíveis e que há sim, epidemia de mau jornalismo.

Enquanto discutem, as overdoses vão se sucedendo. Há relatos de casos de familiares adictos de pacientes terminais que usam o doente para comprar a droga legalmente nas farmácias. Pessoas que simulam fortes dores para obtê-la. Médicos já foram indiciados por receitarem o medicamento para viciados. Um já foi condenado a 30 anos de prisão pela morte por overdose de 5 pessoas.

Outra preocupação é com os usuários tanto do Cristal como do OxyContin, por parte dos portadores do HIV, pois deixam de lado o tratamento, ao se sentirem muito bem quando sob efeito dessas drogas, mas estão morrendo rapidamente.

Os anestésicos (Ketamina e PCP), que causam dissociação mente-corpo e provocam "viagens alucinantes", encerram verdadeiros perigos para os usuários e para os outros. Tanto os produzidos ilegalmente, quanto os que podem ser adquiridos legalmente em lojas de artigos agropecuários (algumas vendem sem receita), já têm freqüentado o noticiário por seu uso e vítimas em festas aqui.

O GHB, muito usado (e abusado) nos EUA, que pode provocar perda de consciência, coma profundo por deprimir o sistema nervoso central, é pano de fundo para muitos casos de estupro. Rapazes colocam a droga facilmente em bebidas de garotas, pois é parecida com água e não altera o sabor. Essa droga já é encontrada clandestinamente aqui no país e usada em festas fechadas.

No Brasil, muitas substâncias vendidas como anabolizantes em academias, são falsificadas e acondicionadas em ampolas não esterilizadas, ou misturadas a outras drogas.

E assim é...

É moda nos EUA ou na Europa, logo se copia aqui.

Falar ou não falar em drogas?

Se todos se calarem a respeito, os narcotraficantes continuarão espalhando no "boca-a-boca" aos jovens, apenas as maravilhas das drogas.

Há pessoas que não gostam de ouvir falar no assunto e prefere enfiar a cabeça na areia, feito avestruz, deixando o "circo pegar fogo", como se a negação da realidade a fará melhor.

Já foi mais do que dito e comprovado que as autoridades combatem o tráfico do lado errado. A solução para estancar a oferta de drogas é combater e colocar fora de ação os verdadeiros donos das drogas, terminando assim com a oferta (fechar a torneira), destruindo as organizações narcotraficantes de cima para baixo. Qualquer coisa diferente disso é conversa mole para enrolar contribuinte.

Ficar trocando tiros e prendendo traficantezinhos, "aviãozinhos" e viciados não resolve o problema e promove o caos.

Por um outro lado, é necessário que a sociedade se dispa de toda ilusão e fantasia e se conscientize, que as drogas estão realmente aí à espreita dos seus filhos (sejam eles ricos ou pobres) para aliciá-los na primeira oportunidade.

Enquanto as autoridades responsáveis não aprendem ou não resolvem enfrentar e acabar com elas efetivamente, é urgente que todos unidos e com seriedade, desenvolvam em seus filhos, desde pequenos, a resistência às ofertas de drogas.

São vários os caminhos e fatores de risco que podem levar os jovens às drogas: ambiente doméstico caótico; pais que abusam de drogas (legais ou ilegais); falta de diálogo e carinho na família; fracasso escolar; amizade com viciados; política econômica frustrante, etc...

Para se livrar só existe um caminho: a vontade do dependente de drogas. Se ele não disser com todas as letras: "Me ajude a sair disso", infelizmente, nada há a fazer.

Para não ter que ficar esperando ouvir essa frase, é importante que se leve muito a sério a política de prevenção que, forçosamente, deve envolver governo, família, escola, igrejas, etc... com programas e serviços convincentes.

E isso deve ser feito sem mentir (dizendo apenas que a droga é ruim), mas ressaltando muito mais a incongruência que é, um bem-estar tão efêmero, com o tamanho da destruição na vida física, psíquica, social e econômica do drogado e dos seus familiares.

Já que padecemos de uma síndrome de imitação, por que não fazermos como os EUA, que têm um enorme problema com as drogas, porém, estão investindo maciçamente nos últimos anos em programas de educação e prevenção. Eles já se convenceram que fica muito mais barato e menos doloroso, educar do que tratar. Isso sim, deveríamos imitar.

É essencial que o Brasil imprima velocidade máxima em programas eficientes de educação e prevenção, eliminando os fatores de risco, antes que novíssimas drogas sejam mais velozes.

 

Maria Luiza Curti
luizacurti@dominiofeminino.com.br
Psicóloga clínica – 14/01733-1
mlcurti@uol.com.br

 

 

 

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