Está ficando cada vez
mais difícil encontrar, em nosso país, uma
família que não tenha uma pessoa, mesmo que
seja parente distante ou amigo, envolvida com drogas. Também
está ficando cada vez mais difícil não
identificar a droga por trás da maioria dos crimes
que acontecem aqui.
Tomando como base os EUA que
estão investindo 18,5 bilhões de dólares
no combate às drogas e as pesquisas mostram que o
consumo está em franco crescimento, ficamos nos perguntando:
o que será de nós, que não dispomos
nem de longe dos recursos dos países do primeiro
mundo? As respostas estão nos meios de comunicações
que nos trazem notícias da violência e dos
crimes e na nossa convivência do dia-a-dia com o caos.
Nos EUA além das velhas
drogas: inalantes, álcool, maconha, cocaína,
heroína, anfetaminas, etc... surgiram as pós-modernas:
as metas, que nada mais são que as velhas com muito
mais potência.
As anfetaminas, em laboratórios
clandestinos, transformaram-se em metanfetaminas como o
Ecstasy que começou a ser difundido em pequenos círculos,
ganhou mundo e hoje está se espalhando nas festas
jovens do Brasil. A metanfetamina conhecida como Cristal,
Ice e outros nomes, está aprontando horrores nas
haves do Tio Sam. Timidamente já está despontando
por aqui como estimulante para adeptos do vídeo-games,
que assim passam dias e noites acordados jogando até
a partida que pode culminar num ataque do coração.
O meta-narcótico derivado
do ópio, OxyContin, cujo ingrediente ativo é
o cloridrato de oxycodona, droga legal aprovada pelo FDA
(órgão controlador de alimentos e medicamentos)
como importante remédio para as terríveis
dores dos pacientes de câncer terminal e outras doenças,
está gerando a maior polêmica por lá,
devido a grande ocorrência de overdose pelo abuso
da droga e dos assaltos às farmácias em busca
do remédio.
As opiniões se dividiram
entre os que são partidários de que se continue
fabricando o OxyContin, pois é eficiente no alívio
da dor extrema, e os que querem sua proibição
porque acham que foge ao controle. Enquanto os contras a
droga agitam pesquisas sobre mortes por overdose e falam
em epidemia, os favoráveis dizem que as pesquisas
são discutíveis e que há sim, epidemia
de mau jornalismo.
Enquanto discutem, as overdoses
vão se sucedendo. Há relatos de casos de familiares
adictos de pacientes terminais que usam o doente para comprar
a droga legalmente nas farmácias. Pessoas que simulam
fortes dores para obtê-la. Médicos já
foram indiciados por receitarem o medicamento para viciados.
Um já foi condenado a 30 anos de prisão pela
morte por overdose de 5 pessoas.
Outra preocupação
é com os usuários tanto do Cristal como do
OxyContin, por parte dos portadores do HIV, pois deixam
de lado o tratamento, ao se sentirem muito bem quando sob
efeito dessas drogas, mas estão morrendo rapidamente.
Os anestésicos (Ketamina
e PCP), que causam dissociação mente-corpo
e provocam "viagens alucinantes", encerram verdadeiros
perigos para os usuários e para os outros. Tanto
os produzidos ilegalmente, quanto os que podem ser adquiridos
legalmente em lojas de artigos agropecuários (algumas
vendem sem receita), já têm freqüentado
o noticiário por seu uso e vítimas em festas
aqui.
O GHB, muito usado (e abusado)
nos EUA, que pode provocar perda de consciência, coma
profundo por deprimir o sistema nervoso central, é
pano de fundo para muitos casos de estupro. Rapazes colocam
a droga facilmente em bebidas de garotas, pois é
parecida com água e não altera o sabor. Essa
droga já é encontrada clandestinamente aqui
no país e usada em festas fechadas.
No Brasil, muitas substâncias
vendidas como anabolizantes em academias, são falsificadas
e acondicionadas em ampolas não esterilizadas, ou
misturadas a outras drogas.
E assim é...
É moda nos EUA ou na
Europa, logo se copia aqui.
Falar ou não falar
em drogas?
Se todos se calarem a respeito,
os narcotraficantes continuarão espalhando no "boca-a-boca"
aos jovens, apenas as maravilhas das drogas.
Há pessoas que não
gostam de ouvir falar no assunto e prefere enfiar a cabeça
na areia, feito avestruz, deixando o "circo pegar fogo",
como se a negação da realidade a fará
melhor.
Já foi mais do que
dito e comprovado que as autoridades combatem o tráfico
do lado errado. A solução para estancar a
oferta de drogas é combater e colocar fora de ação
os verdadeiros donos das drogas, terminando assim com a
oferta (fechar a torneira), destruindo as organizações
narcotraficantes de cima para baixo. Qualquer coisa diferente
disso é conversa mole para enrolar contribuinte.
Ficar trocando tiros e prendendo
traficantezinhos, "aviãozinhos" e viciados
não resolve o problema e promove o caos.
Por um outro lado, é
necessário que a sociedade se dispa de toda ilusão
e fantasia e se conscientize, que as drogas estão
realmente aí à espreita dos seus filhos (sejam
eles ricos ou pobres) para aliciá-los na primeira
oportunidade.
Enquanto as autoridades responsáveis
não aprendem ou não resolvem enfrentar e acabar
com elas efetivamente, é urgente que todos unidos
e com seriedade, desenvolvam em seus filhos, desde pequenos,
a resistência às ofertas de drogas.
São vários os
caminhos e fatores de risco que podem levar os jovens às
drogas: ambiente doméstico caótico; pais que
abusam de drogas (legais ou ilegais); falta de diálogo
e carinho na família; fracasso escolar; amizade com
viciados; política econômica frustrante, etc...
Para se livrar só existe
um caminho: a vontade do dependente de drogas. Se ele não
disser com todas as letras: "Me ajude a sair disso",
infelizmente, nada há a fazer.
Para não ter que ficar
esperando ouvir essa frase, é importante que se leve
muito a sério a política de prevenção
que, forçosamente, deve envolver governo, família,
escola, igrejas, etc... com programas e serviços
convincentes.
E isso deve ser feito sem
mentir (dizendo apenas que a droga é ruim), mas ressaltando
muito mais a incongruência que é, um bem-estar
tão efêmero, com o tamanho da destruição
na vida física, psíquica, social e econômica
do drogado e dos seus familiares.
Já que padecemos de
uma síndrome de imitação, por que não
fazermos como os EUA, que têm um enorme problema com
as drogas, porém, estão investindo maciçamente
nos últimos anos em programas de educação
e prevenção. Eles já se convenceram
que fica muito mais barato e menos doloroso, educar do que
tratar. Isso sim, deveríamos imitar.
É essencial que o Brasil
imprima velocidade máxima em programas eficientes
de educação e prevenção, eliminando
os fatores de risco, antes que novíssimas drogas
sejam mais velozes.
Maria Luiza Curti
luizacurti@dominiofeminino.com.br
Psicóloga clínica – 14/01733-1
mlcurti@uol.com.br