Crianças e adultos com
câncer, graves lesões traumáticas, dores
em afecções reumatológicas, fibromialgia
e outras, têm sua vida cerceada, tamanha sua intensidade.
Nos EUA a fabricante Purdue
Pharma, desenvolveu e colocou no mercado o analgésico
derivado do ópio, OxyContin. Muito mais potente que
a morfina e outros opiáceos como o Percodan, Demerol...
No OxyContin foram reduzidos
os efeitos colaterais, como o ressecamento intestinal, problemas
urinários, enjôos, boca seca e vômitos
que apresentavam seus antecessores.
Infelizmente, diversos avanços
farmacológicos que têm o intuito de abrandar
o sofrimento de milhares de pessoas, acabam com má
fama por causa do seu mau uso por parte de pessoas inidôneas
visando o lucro fácil, ilícito e também
pelos que deturpam a nobre finalidade inicial, utilizando
medicamentos que são bálsamos das dores do corpo
para aplacar as dores da alma. O ser humano, geralmente, sente
dificuldade em distinguir entre a dor física e psíquica.
Todas as drogas que são
objeto de abuso nos EUA, têm merecido a devida atenção
por parte das autoridades, da mídia, enfim, de toda
comunidade, mas o OxyContin, além da atenção,
tem gerado inúmeras polêmicas.
O FDA (órgão que
controla medicamentos nos EUA) aprovou o OxyContin em 1995
para tratar a dor persistente moderada e severa, e só
pode ser adquirido mediante receita médica. A droga
foi projetada para ao ser ingerida ir liberando lentamente
o ingrediente ativo, oxycodone, num período de 12 horas.
O abuso do OxyContin começou
nos estados de Kentucky, Virgínia e Maine, conhecida
como "hililbilly o heroin" (heroína do pobre),
por ser uma droga relativamente barata (não que seja
barata, se tornou mais accessível porque lá
os planos de saúde cobrem) e se espalhou pelo resto
do país. Os usuários recreacionais trituram
os comprimidos e, inalam; misturam à água e
injetam na corrente sanguínea; bebem, misturado ao
álcool ou em combinação com outras drogas.
Usado de formas diferentes à recomendada pelos médicos
aos pacientes, o oxycodone proporciona um "barato"
euforizante a quem o consome.
Sendo o OxyContin um analgésico
e ao ser esmagado e consumido, faz liberar pela corrente sanguínea
de uma pessoa sadia de uma só vez, uma quantidade de
opiáceo muito mais forte que a heroína e que
em um doente seria liberado lentamente. Claro que os casos
de overdoses estão assustando os americanos.
A overdose dessa droga produz
depressão respiratória, sonolência, coma,
flacidez dos músculos, pele fria, confusão,
pupilas pequenas, bradicardia, hipotensão. A overdose
severa pode conduzir à apnéia, ao colapso circulatório
e à morte.
Apenas na Flórida, nos
primeiros seis meses de 2001, foram registrados 243 casos
de overdose.
A disparada em busca do OxyContin
para recreação provocou um número de
assalto a farmácias, para roubar a droga, sem precedentes.
Somente em Massachusets 37 farmácias foram roubadas.
Isso está criando dificuldade para os pacientes que
dependem da droga para minorar seu sofrimento, pois muitas
farmácias deixaram de manter o medicamento em seus
estoques temendo pela vida dos clientes e funcionários.
A papoula é uma linda
flor e a partir dela são produzidos remédios
para amenizar a dor, mas é também uma flor ambígua.
Da mesma forma que embeleza os olhos e alivia dores, não
perdoa quem dela abuse e o preço é a vida.