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VELOCIDADE MÁXIMA

 

Maria Luiza Curti
luizacurti@dominiofeminino.com.br
Psicóloga clínica – 14/01733-1
mlcurti@uol.com.br
18, Maio/2002

 

"Acredito que o analista não pode evitar de pensar
o político e o social em seus fundamentos. Também
não pode se permitir nada querer saber daquilo que
se passa em torno dele, uma vez que, quer queira
quer não, acabará sendo interpelado pelos acontecimentos."
Caterina KOLTAI – "Atualidades do Mal Estar"

Em um artigo, o diretor de teatro Gerald Thomas mencionou que nas noites de sábado, em Nova York, 18 pessoas morrem, por hora, em conseqüência de overdose de OxyContin. Fiquei intrigada e assustada com os números e passei a procurar noticias sobre essa droga que até então desconhecia.

Mas, até onde vai nosso interesse pelo comportamento da sociedade norte americana?

A União Européia pós-99 se transformou no maior mercado de drogas do mundo, segundo o relatório do Observatório Geopolítico das Drogas (OGD), portanto, com um consumo superior ao "mercado americano". A sociedade brasileira adota grande parte dos hábitos, costumes, modas e modismos engendrados pelo Tio Sam e os jovens são os primeiros a encamparem novos comportamentos.

As novas drogas tornam-se mais convidativas, principalmente, pelo seu apelo sedutor de potência sexual, sensação de energia, poder, euforia. Os efeitos são mais rápidos e o tempo de duração do "barato" muito mais longo, assim como suas festas haves.

A ONU registrou no seu Relatório Mundial sobre Drogas que, entre 1985 e 1999 o consumo de cocaína nos EUA diminuiu cerca de 70%.

Esse refluir do consumo das "velhas" drogas, seria um sinal de que o tempo e dinheiro investidos em campanhas de combate às drogas e de conscientização da população estariam dando resultado? Infelizmente, ainda que os programas e serviços começaram a apresentar resultados no tocante às "velhas" drogas, parece que as "novas" estão abalando a sociedade.

Houve um reflorescer, com extremo vigor, de drogas que já existiam e agora, devidamente incrementadas, começaram a se espalhar por lá. Isso não significa que a anfetamina, cocaína e a heroína (agora mais puras), deixaram de ser consumidas, e a maconha com penetração em todas as faixas etárias, ainda é, de longe, a mais usada.

Elas foram cedendo lugar às metanfetaminas e a derivados do ópio muito mais potentes. Até a "geração saúde" que cultua o corpo nas academias já tem suas vítimas por drogas pós-GHB, disfarçadas de energéticos, que também são consumidas misturadas a outras drogas em festas haves.

A primazia do consumo das "novas" drogas, geralmente, é da classe rica e média, porém, mais tarde, misturadas à imundícies que as barateiam, serão consumidas entre os pobres que morrerão feito moscas, assim como foi da cocaína para o crack, a merla...

A intenção não é produzir um tratado sobre as drogas que flagelam os EUA, ou as várias que já chegaram ao Brasil, mesmo porque na Internet existem inúmeros e profundos estudos sobre todas, mas uma rápida panorâmica informativa de algumas novas drogas e seus terríveis efeitos colaterais. Para isso busquei fontes como: Interpol, The New York Times, Instituto Nacional do Abuso de Drogas (NIDA), Folha de São Paulo, Mental Health, JAMA (Jornal da Associação Médica Americana), Medicamentos da Dor da NIDA INFOFAX, ADA (Division of Alcoholand Drug Abuse), DEA (Departamento de Justiça dos EUA), CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas) UNIFESP.

Não foi incluída a metanfetamina Ecstasy, porque esse derivado do cactus Peyot, o composto chamado MDMA (metileno-dioxi-metanfetamina), já foi objeto de um outro artigo: "ECSTASY: o charme que mata".

Diferença entre a metanfetamina e outros estimulantes como a cocaína

Embora a metanfetamina e a cocaína sejam psico-estimulantes que produzem efeitos similares, há algumas diferenças nos mecanismos básicos de como trabalham em nível celular do sistema nervoso e na forma como são extraídas.

A metanfetamina é sintética (produzida em laboratório) enquanto a cocaína é extraída de uma planta (coca).

O consumo da metanfetamina produz um efeito estimulante com duração de 8 a 24 horas, a euforia da cocaína dura de 20 a 30 minutos.

A cocaína é rapidamente metabolizada e removida quase completamente do corpo. A metanfetamina permanece por mais tempo no corpo e sua longa ação no cérebro prolonga os efeitos estimulantes, provocando um estrago mais desastroso no organismo.

 

 

 

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