Para tentar entender as novas
drogas que ilegal e rapidamente se espalham, viciando, adoecendo
e matando, é bom que se saiba que não são
tão novas assim.
A anfetamina foi sintetizada
(manufaturada) em laboratório pela primeira vez por
Edeleano na Alemanha em 1887. Esse estimulante sintético
tem estrutura química semelhante à efedrina,
um estimulante natural encontrado nas plantas do gênero
ephedra, o que se observa também na adrenalina.
Apenas em 1920 seu efeito psico-estimulante
foi reconhecido e seu uso médico farmacêutico
foi autorizado pelos EUA. Na segunda Guerra Mundial a anfetamina
foi utilizada para dar mais energia e manter os soldados em
estado máximo de alerta.
O emprego da anfetamina para
fins medicinais foi concomitante com a história do
seu abuso.
Os médicos a prescreviam
(e ainda é em alguns casos) para casos de depressão,
mal de Parkinson, epilepsia, hiperatividade infantil,obesidade,
narcolepsia, impotência, apatia dos idosos, etc...
Hollywood glamourizou a anfetamina
e os narcóticos a partir de meados dos anos 40, 50
e 60 inspirando até um "best seller" de Jacqueline
Susann "O Vale das Bonecas", que descreve os bastidores
do mundo dos espetáculos e conta como estrelas abusavam
das anfetaminas para se manterem magras, acordadas, em forma
para agüentar a maratona do dia-a-dia e como consumiam
narcóticos com álcool para dormir.
A molécula-mãe
da anfetamina o 2-pea, é o elemento básico dos
neurotransmissores dopamina e noradrenalina. A estrutura simples
do 2-pea pode ser projetada de muitas maneiras, de modo que
é difícil calcular o número exato de
todos os derivativos possíveis com efeitos similares.
Por exemplo, o LSD, o ácido lisérgico que provoca
alucinações, é semi-sintético,
produzido em laboratório desde 1938 por Albert Hofmann
e é uma das variantes da anfetamina.
A metanfetamina, é um
derivado estimulante ultrapotente, de extremo poder viciante,
que afeta dramaticamente o sistema nervoso. Essa droga é
facilmente produzida ilegalmente em laboratórios clandestinos
(até em banheira como diz um entrevistado de um jornal)
com ingredientes relativamente baratos. É um pó
branco, cristalino, sem odor, com sabor amargo que se dissolve
facilmente em água ou álcool.
Conforme levantamento do NIDA
(National Institute on Drug Abuse) o uso da anfetamina sempre
foi muito difundido entre caminhoneiros, por esse tipo de
trabalho exigir muitas horas acordados em longas jornadas.
A metanfetamina, antes confinada
à Califórnia, ao Meio-Oeste e ao Sudoeste, onde
era consumida como estimulante por gays, donas-de-casa, motoqueiros,
cada vez mais está se espalhando rapidamente por clubes
de New York, pelos bailes haves (com som alucinante que duram
até dias) e por outros vários pontos do país.
As autoridades estão preocupadas e temem que essa droga
siga os passos do ecstasy, da cocaína que eram usadas
em festas e depois ficaram famosas e se alastraram pelo mundo.
O dr. Perry N. Halkistis, psicólogo
da Universidade de New York, autor de vários estudos,
acredita que a metanfetamina Cristal continuará se
disseminando a menos que as autoridades de saúde pública
e lideranças sociais comecem a divulgar o lado destrutivo
da droga. Disse ele: "Não há ninguém
lá fora alertando as pessoas sobre o cristal. No momento
ela ainda é considerada chique".
Essa metanfetamina é
conhecida por vários nomes como, Cristal, Cristina,
Tina, crank, ice, speed, cocaína do operário
e quando misturada a outras substâncias que a faz mais
barata, passa a ser chamada de manivela.
A Cristal que pode ser cheirada,
fumada, inalada, injetada ou tomada por via oral, inunda o
cérebro com dopamina, uma substância reguladora
do prazer, motivação, atenção
e movimento. Seus usuários sentem a autoconfiança
ir às alturas, incrível sensação
de bem-estar, vigorosos, cheios de energia, invencíveis
e com o desejo sexual ampliado ao extremo (levando a um comportamento
excessivo e perigoso).
Uma grande preocupação
é com os portadores do vírus HIV que, quando
a consomem sentem-se tão bem a ponto de correr risco
de morte, abandonando o tratamento essencial à sobrevivência.
A droga Cristal que proporciona
longas horas de prazer intenso, logo vem cobrar seu verdadeiro
preço. Depois de vários dias de consumo, por
ter ficado muito tempo sem alimento, sem dormir e em atividade
frenética, a pessoa sente-se extremamente esgotada,
irritada, ansiosa e agitada.
As doses elevadas e repetidas
por diversos dias podem provocar o delírio, pânico,
alucinações visuais e auditivas, paranóia,
comportamento anti-social, agressividade.
A metanfetamina provoca hipertermia,
aumenta a freqüência respiratória, a cardíaca
e a tensão arterial, podendo causar lesão irreversível
nos vasos sanguíneos cerebrais, produzindo derrames.
Outros efeitos do abuso incluem problemas respiratórios,
irregularidade das batidas do coração e anorexia
extrema. Como é alta e rapidamente viciante, logo cria
tolerância, obrigando os usuários a aumentar
as doses, o que pode ocasionar colapso cardiovascular e a
morte.
A taxa de mortalidade por overdose
de Cristal está elevadíssima nos EUA. Por todos
os transtornos e dores que vem causando a Cristal já
está sendo conhecida por um outro nome: a maligna.