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"... a
maioria das pessoas vê o modo ter de existência
como o mais natural, e até mesmo o único modo
de vida
aceitável. Tudo isso dificulta às pessoas
apreender a natureza
do modo de ser, e mesmo compreender que o ter
não passa de uma das orientações possíveis."
ERICH FROMM
As exigências do mundo
pós-moderno para o jovem ser aceito, e o adulto se
manter, tanto no mercado de trabalho quanto socialmente,
parecem um verdadeiro culto ao deus ter e à deusa
aparência.
As pessoas precisam ter um
belo visual, definido pelo último grito da moda;
aparentar alegria e desinibição; ter uma energia
inesgotável; aparentar inteligência; ter espírito
de liderança; aparentar ser uma pessoa segura; ter
cara de sucesso. Tudo isso e muito mais, define as pessoas
pela pressão e a insegurança de não
ser, o que faz muitas lançarem mão de soluções
rápidas e perigosas vendidas em frascos, pó
e outras formas.
O GHB – ácido hidroxi-butírico
é uma droga similar a um produto químico natural
do cérebro, o aminoácido gama butírico
conhecido por GABA.
O líquido industrializado
é inodoro e incolor mas essa substância também
era disponível em pó e em cápsulas
nas lojas de alimentos naturais. Uma de suas indicações
era a de induzir o sono.
O FDA (órgão
controlador de alimentos e medicamentos dos EUA) emitiu
advertência indicando que o GHB, promovido como uma
droga legal, adoeceu gravemente mais de 30 pessoas na Califórnia,
Flórida e Geórgia, com sintomas que variaram
de náuseas, vômitos, ansiedade à depressão
respiratória severa.
Com a morte de um senhor de
77 anos que consumiu o GHB por padecer de insônia,
o FDA em 1990, determinou que a droga fosse retirada das
prateleiras, porém ela ainda pode ser adquirida pela
internet como suplemento alimentar, produto de limpeza e
solvente natural, como "GHB legal" e "GHB
herbal".
Quando foi proibida a sua
comercialização a droga foi, rapidamente,
substituída pelos primos químicos 1,4 butanodiol
BD, GBL e outros que, ao serem ingeridos e metabolizados
pelo organismo, se transformam em GHB.
O BD e o GBL são solventes
industriais, mas também estão sendo misturados
a outros líquidos como suco de frutas ou água
e vendidos como inocentes energéticos naturais nas
academias de ginástica com a promessa de emagrecer,
aumentar a massa muscular, estimulante do hormônio
do crescimento, para combater insônia, aliviar a ansiedade,
afrodisíaco, melhorar o desempenho atlético,
retardar o envelhecimento...
Tais produtos são conhecidos
vulgarmente nas ruas dos EUA como: G, gamma-Gamma-OH, líquido
E, fantasy, água, ecstasy líquido, cereja
meth e outras denominações.
Esses produtos são
consumidos nas festas sob forma líquida e em pó.
Em grandes quantidades e misturados ao álcool e outras
drogas, dão a sensação de desinibição,
socialização, felicidade, sensualidade e grande
energia.
Contudo, o abuso dessas drogas,
também, pode incluir náuseas, alucinações,
amnésia, tremor, perda da coordenação
devido a perda do tônus muscular, ansiedade, bradicardia
(batidas lentas do coração), dificuldade em
raciocinar, discurso incoerente, estado consciente mas incapaz
de se mover (têm acontecido estupros quando moças
se encontram nessa condição), coma por horas
e morte por depressão respiratória.
Em março de 2000, três
homens foram sentenciados a 15 anos de prisão pela
morte de uma menina de 15 anos. Eles colocaram GHB na bebida
que ela ingeriu numa festa.
O GHB está cada vez
mais envolvido em ocorrências por overdose. Estatísticas
de Miami apontam o aumento dramático de emergências
médicas pelo abuso dessa droga que passaram de 20
em 1992 para 1282 em 1998.
A partir de 1993, constatou-se
26 mortes, nos EUA, envolvendo o GHB.
Deixar-se envolver pela necessidade
de ter e pela sedução de ser valendo-se de
substâncias químicas, pode produzir resultados
desastrosos e até a morte.
Aceitar-se, procurar desenvolver
e manter a auto-estima, é receita natural para viver
bem e isso é o que importa.
O TERRÍVEL
PCP
Fenciclidina
Maria Luiza Curti
luizacurti@dominiofeminino.com.br
Psicóloga clínica – 14/01733-1
mlcurti@uol.com.br
"Como é
possível que o mais forte de todos os
instintos, o de conservação da existência,
pareça
ter deixado de nos motivar?"
ERICH FROMM
O PCP (fenciclidina), assim
como a Ketamina são anestésicos intravenosos,
dissociativos. O PCP começou a ser fabricado nos
anos 50 para cirurgias, mas devido a seus efeitos colaterais
(os pacientes se mostravam agitados, confusos e delirantes),
seu uso em seres humanos foi interrompido.
Em 1960 tornou-se comercialmente
disponível como anestésico veterinário,
porém sob venda controlada. Segundo o Departamento
de Justiça dos Estados Unidos, em 1978, ante o abuso
da droga, sua fabricação foi interrompida
e declarada ilegal.
Hoje o PCP é produzido
apenas em laboratórios clandestinos. Na sua forma
pura é um pó branco, cristalino, que se dissolve
rapidamente na água. Conforme o tipo de substância
a que é misturado, sua consistência pode variar
de pó a uma massa gomosa. Também pode ser
misturado a corantes e é vendido em pó colorido
ou em cápsulas. Pode ser inalado, fumado (para fumar,
a droga é enrolada em folhas de menta, orégano
ou marijuana) ou engolido em cápsulas.
O PCP é chamado de
"pó de anjo", "combustível
de foguete", "erva assassina" e outros. Os
nomes refletem seus efeitos bizarros.
As drogas dissociativas agem
alterando a distribuição do glutamato dos
neurotransmissores cerebrais. O glutamato age na percepção
da dor, das respostas ao ambiente e na memória.
As pessoas que usam o PCP
como droga recreativa relatam a sensação de
"saírem do corpo" ficando acima e distantes
de si mesmos e do ambiente (dissociação).
Há uma distorção da consciência
corporal.
Seu abuso proporciona sensação
de bem-estar, euforia, força, poder, invulnerabilidade.
Às vezes ocorre uma "bad trip", ou seja,
alucinações ruins, seguidas de um sentimento
de medo e pânico incontroláveis.
Os usuários do PCP
ficam violentos e com tendências suicidas. Na questão
da violência e suicídio há controvérsias.
Uma corrente diz que a droga induz nos usuários o
comportamento agressivo e criminoso, pura e simplesmente;
outra diz que, a insensibilidade à dor, a sensação
de poder tudo (ex: escalar um prédio, voar sobre
abismos, enfrentar policiais armados à unha, etc...),
enfim, a alteração dos estímulos sensoriais
da percepção é que os fazem parecer
perigosos e suicidas. De qualquer maneira os usuários
do PCP constituem um verdadeiro perigo para si mesmos e
para os outros.
Em doses baixas os efeitos
do PCP incluem: um leve aumento da freqüência
respiratória, elevação mais pronunciada
da pressão arterial, rubor e suor em profusão.
Pode haver adormecimento generalizado das extremidades,
falta de coordenação muscular e distorções
sensoriais ("desconectados" do ambiente: sabem
onde estão, mas não sentem que fazem parte
dele), olhar fixo e vazio, ansiedade, discurso ilógico,
desorientação, medo, pânico.
As doses elevadas reduzem
a pressão arterial, a freqüência do pulso
e a respiração. Esses sintomas podem ser acompanhados
de náusea, vômito, visão turva, movimento
rápido e involuntário dos olhos, perda de
equilíbrio, confusão, agitação,
analgesia, febre e salivação excessiva (babar).
Pode causar efeitos similares aos sintomas psicóticos:
delírio, confusão mental, paranóia,
sensação de distância do meio circundante
e catatonia. A pessoa, geralmente, fala pouco e de maneira
incompreensível. Os efeitos colaterais podem evoluir
provocando parada respiratória, coma e morte.
O PCP quando usado por períodos
prolongados ocasiona perda de memória, dificuldade
para falar e pensar, depressão, perda de peso, transtornos
emocionais e esses sintomas podem persistir até por
um ano depois de largar a droga, pois ela permanece por
longo tempo no organismo, podendo ocasionar "flashs"
muito tempo depois de sua ingestão.
O PCP tem efeitos sedantes
e a interação com o álcool e benzodiazepinicos
pode causar o coma.
O uso do PCP por adolescentes
pode prejudicar a produção do hormônio
do crescimento e o desenvolvimento normal do processo de
aprendizagem.
Dizem, que muitas pessoas
que usaram o PCP pela primeira vez nunca mais quiseram fazer
novamente uso do mesmo, tão terrível é
essa droga. Só continuando mesmo quem é dependente
dela.
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