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BELOS, DESINIBIDOS E... DOENTES
GHB

 

Maria Luiza Curti
luizacurti@dominiofeminino.com.br
Psicóloga clínica – 14/01733-1
mlcurti@uol.com.br
18, Maio/2002

 

"... a maioria das pessoas vê o modo ter de existência
como o mais natural, e até mesmo o único modo de vida
aceitável. Tudo isso dificulta às pessoas apreender a natureza
do modo de ser, e mesmo compreender que o ter
não passa de uma das orientações possíveis."

ERICH FROMM

 

As exigências do mundo pós-moderno para o jovem ser aceito, e o adulto se manter, tanto no mercado de trabalho quanto socialmente, parecem um verdadeiro culto ao deus ter e à deusa aparência.

As pessoas precisam ter um belo visual, definido pelo último grito da moda; aparentar alegria e desinibição; ter uma energia inesgotável; aparentar inteligência; ter espírito de liderança; aparentar ser uma pessoa segura; ter cara de sucesso. Tudo isso e muito mais, define as pessoas pela pressão e a insegurança de não ser, o que faz muitas lançarem mão de soluções rápidas e perigosas vendidas em frascos, pó e outras formas.

O GHB – ácido hidroxi-butírico é uma droga similar a um produto químico natural do cérebro, o aminoácido gama butírico conhecido por GABA.

O líquido industrializado é inodoro e incolor mas essa substância também era disponível em pó e em cápsulas nas lojas de alimentos naturais. Uma de suas indicações era a de induzir o sono.

O FDA (órgão controlador de alimentos e medicamentos dos EUA) emitiu advertência indicando que o GHB, promovido como uma droga legal, adoeceu gravemente mais de 30 pessoas na Califórnia, Flórida e Geórgia, com sintomas que variaram de náuseas, vômitos, ansiedade à depressão respiratória severa.

Com a morte de um senhor de 77 anos que consumiu o GHB por padecer de insônia, o FDA em 1990, determinou que a droga fosse retirada das prateleiras, porém ela ainda pode ser adquirida pela internet como suplemento alimentar, produto de limpeza e solvente natural, como "GHB legal" e "GHB herbal".

Quando foi proibida a sua comercialização a droga foi, rapidamente, substituída pelos primos químicos 1,4 butanodiol BD, GBL e outros que, ao serem ingeridos e metabolizados pelo organismo, se transformam em GHB.

O BD e o GBL são solventes industriais, mas também estão sendo misturados a outros líquidos como suco de frutas ou água e vendidos como inocentes energéticos naturais nas academias de ginástica com a promessa de emagrecer, aumentar a massa muscular, estimulante do hormônio do crescimento, para combater insônia, aliviar a ansiedade, afrodisíaco, melhorar o desempenho atlético, retardar o envelhecimento...

Tais produtos são conhecidos vulgarmente nas ruas dos EUA como: G, gamma-Gamma-OH, líquido E, fantasy, água, ecstasy líquido, cereja meth e outras denominações.

Esses produtos são consumidos nas festas sob forma líquida e em pó. Em grandes quantidades e misturados ao álcool e outras drogas, dão a sensação de desinibição, socialização, felicidade, sensualidade e grande energia.

Contudo, o abuso dessas drogas, também, pode incluir náuseas, alucinações, amnésia, tremor, perda da coordenação devido a perda do tônus muscular, ansiedade, bradicardia (batidas lentas do coração), dificuldade em raciocinar, discurso incoerente, estado consciente mas incapaz de se mover (têm acontecido estupros quando moças se encontram nessa condição), coma por horas e morte por depressão respiratória.

Em março de 2000, três homens foram sentenciados a 15 anos de prisão pela morte de uma menina de 15 anos. Eles colocaram GHB na bebida que ela ingeriu numa festa.

O GHB está cada vez mais envolvido em ocorrências por overdose. Estatísticas de Miami apontam o aumento dramático de emergências médicas pelo abuso dessa droga que passaram de 20 em 1992 para 1282 em 1998.

A partir de 1993, constatou-se 26 mortes, nos EUA, envolvendo o GHB.

Deixar-se envolver pela necessidade de ter e pela sedução de ser valendo-se de substâncias químicas, pode produzir resultados desastrosos e até a morte.

Aceitar-se, procurar desenvolver e manter a auto-estima, é receita natural para viver bem e isso é o que importa.

 

O TERRÍVEL PCP
Fenciclidina

Maria Luiza Curti
luizacurti@dominiofeminino.com.br
Psicóloga clínica – 14/01733-1
mlcurti@uol.com.br

 

"Como é possível que o mais forte de todos os
instintos, o de conservação da existência, pareça
ter deixado de nos motivar?"
ERICH FROMM

O PCP (fenciclidina), assim como a Ketamina são anestésicos intravenosos, dissociativos. O PCP começou a ser fabricado nos anos 50 para cirurgias, mas devido a seus efeitos colaterais (os pacientes se mostravam agitados, confusos e delirantes), seu uso em seres humanos foi interrompido.

Em 1960 tornou-se comercialmente disponível como anestésico veterinário, porém sob venda controlada. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em 1978, ante o abuso da droga, sua fabricação foi interrompida e declarada ilegal.

Hoje o PCP é produzido apenas em laboratórios clandestinos. Na sua forma pura é um pó branco, cristalino, que se dissolve rapidamente na água. Conforme o tipo de substância a que é misturado, sua consistência pode variar de pó a uma massa gomosa. Também pode ser misturado a corantes e é vendido em pó colorido ou em cápsulas. Pode ser inalado, fumado (para fumar, a droga é enrolada em folhas de menta, orégano ou marijuana) ou engolido em cápsulas.

O PCP é chamado de "pó de anjo", "combustível de foguete", "erva assassina" e outros. Os nomes refletem seus efeitos bizarros.

As drogas dissociativas agem alterando a distribuição do glutamato dos neurotransmissores cerebrais. O glutamato age na percepção da dor, das respostas ao ambiente e na memória.

As pessoas que usam o PCP como droga recreativa relatam a sensação de "saírem do corpo" ficando acima e distantes de si mesmos e do ambiente (dissociação). Há uma distorção da consciência corporal.

Seu abuso proporciona sensação de bem-estar, euforia, força, poder, invulnerabilidade. Às vezes ocorre uma "bad trip", ou seja, alucinações ruins, seguidas de um sentimento de medo e pânico incontroláveis.

Os usuários do PCP ficam violentos e com tendências suicidas. Na questão da violência e suicídio há controvérsias. Uma corrente diz que a droga induz nos usuários o comportamento agressivo e criminoso, pura e simplesmente; outra diz que, a insensibilidade à dor, a sensação de poder tudo (ex: escalar um prédio, voar sobre abismos, enfrentar policiais armados à unha, etc...), enfim, a alteração dos estímulos sensoriais da percepção é que os fazem parecer perigosos e suicidas. De qualquer maneira os usuários do PCP constituem um verdadeiro perigo para si mesmos e para os outros.

Em doses baixas os efeitos do PCP incluem: um leve aumento da freqüência respiratória, elevação mais pronunciada da pressão arterial, rubor e suor em profusão. Pode haver adormecimento generalizado das extremidades, falta de coordenação muscular e distorções sensoriais ("desconectados" do ambiente: sabem onde estão, mas não sentem que fazem parte dele), olhar fixo e vazio, ansiedade, discurso ilógico, desorientação, medo, pânico.

As doses elevadas reduzem a pressão arterial, a freqüência do pulso e a respiração. Esses sintomas podem ser acompanhados de náusea, vômito, visão turva, movimento rápido e involuntário dos olhos, perda de equilíbrio, confusão, agitação, analgesia, febre e salivação excessiva (babar). Pode causar efeitos similares aos sintomas psicóticos: delírio, confusão mental, paranóia, sensação de distância do meio circundante e catatonia. A pessoa, geralmente, fala pouco e de maneira incompreensível. Os efeitos colaterais podem evoluir provocando parada respiratória, coma e morte.

O PCP quando usado por períodos prolongados ocasiona perda de memória, dificuldade para falar e pensar, depressão, perda de peso, transtornos emocionais e esses sintomas podem persistir até por um ano depois de largar a droga, pois ela permanece por longo tempo no organismo, podendo ocasionar "flashs" muito tempo depois de sua ingestão.

O PCP tem efeitos sedantes e a interação com o álcool e benzodiazepinicos pode causar o coma.

O uso do PCP por adolescentes pode prejudicar a produção do hormônio do crescimento e o desenvolvimento normal do processo de aprendizagem.

Dizem, que muitas pessoas que usaram o PCP pela primeira vez nunca mais quiseram fazer novamente uso do mesmo, tão terrível é essa droga. Só continuando mesmo quem é dependente dela.

 

 

 

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