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   Fancyblitz, a replicante
   sobrevive às emoções

 

    Maria da Penha Vieira ( * )
    30, abril/2008

 

Montagem com figurino do  Domnio Feminino

CP

Ainda não

Fancyblitz

Nação CP

Pop

CP"Br"

Prova9

Resumo

Nos meus cinco meses de vida dentro do ClubePenguin.com não posso entender como pessoal acadêmico brasileiro das áreas de psicologia e pedagogia ditos “autoridades no assunto” possa emitir algum juízo de valor, como acompanhei em artigos pela internet sobre o ClubPenguin, apenas por terem ouvido falar. Não há a mais remota possibilidade de que alguém que desconheça o funcionamento, a dinâmica do CP possa emitir parecer de credibilidade sem ter se aprofundado com a experiência. Chega a ser irresponsável. Seria necessário que eles se debruçassem por meses e com muita assiduidade e atenção para ter alguma noção do que é aquele site visto apenas como um entretenimento por meio de joguinhos.

Nestes meses, de Dezembro/2007 até de Abril deste 2008 tenho vivido as alegrias, ansiedades, expectativas e também experimentei o tédio que acompanha o pós-evento. Vivi pouco o lazer dos jogos. Trabalhei arduamente para conseguir meus coins que proporcionavam minha independência financeira. Atingi um total de 300.000 no cômputo geral e, desses, tenho ainda um lastro de 92.0000 mil coins para garantir eventual ausência de conexão de internet. Diverti-me sim, com muitos convites para festas em Igloos, diverti-me com meu bistrô e com meus funcionários. Emocionei-me com as festas principalmente os festejos do St. Patrick’s Day. Diverti-me com minha ansiedade para imaginar o que seria e aonde estaria escondido o Pin da semana. O chapéu de St. Patrick como seria o modelo deste ano e aonde ele estaria ?

Todos os exercícios e experiências que fiz foram extremamente prazerosas. Bem rápido percebi que a total participação e capacidade de tomar iniciativas são sempre bem aceitas o que torna o Penguin bem conceituado e querido naquela Terra. Uma experiência bem simpática foi quando estava pronto o veículo submarino para o resgate das peças do navio de Rockhopper. Eu já havia ganhado meu Pin ao conseguir resgatar todas as peças no fundo do Oceano e resolvi postar-me à porta do veículo para dar boas-vindas a todos e desejar boa-sorte.

Porque a única maneira de tomar conhecimento das origens, eventos e fatos na Ilha ClubPenguin é através da leitura do jornal local, no convívio do site, dificilmente os Penguins precisam de informações sobre segredos de eventos ou locais. Uma das minhas experiências foi exatamente esta. Postei-me na escada do Stage da Lighthouse informando a todos os que subiam procurando pelo Pin da semana para em seguida entender que não estava prestando um bom serviço. Compreendi que era necessário que cada um encontrasse por si mesmo. Melhor teria sido se eu tivesse organizado um grupo de "caça ao pin".

A mais recente foi deliciosa. Quando aportei na Town, cumprimentei a todos com o Hi everyone e um aceno de flipper para em seguida ir direto para meu Igloo e esconder-me de forma que não conseguissem me localizar. Do meu refúgio enviei cartões para todos os que me visitavam mesmo sem me localizar. A experiência foi ótima porque de repente meu Igloo começou a receber inúmeras visitas e eu ia editando o Igloo à medida em que a comunicação ia se estendendo. Gastei uma fortuna em Coins só para enviar mensagens. O normal, neste caso, seria dar boas-vindas e agradecer pela visita usando o menu ou a digitação na barra de chat. Oferecer um lunch com pizza, caneca de café, sorvetes ou torta. Preferi essa brincadeira de esconde-esconde. Outras vezes já havia feito esta brincadeira sem planejar e o resultado foi muito divertido. Apenas usando os emoticons o Penguin do outro lado foi acompanhando e desenvolvendo uma comunicação admirável.

Com três replicantes diferentes — montados, também, com perfis psicológicos diferentes experimentei ser criança e adolescente, menino e menina. Em dois deles impus-me a dificuldade de não abrir o chat e comunicar-me apenas pelo menu, emoticons em teclas de atalho – que os CPs entendem como bug do programa ) e com movimentos de cliques de mouse além de ter descoberto um especial aceno de flipper nas teclas de atalho. Minha replicante mais exuberante, pelo nick, causou uma certa apreensão nos moderadores e em outros replicantes. Só com ela pude ser, verdadeiramente, meu replicante. Com os outros dois, uma criança e o adolescente meninos precisei de muito esforço e atenção constantes. Com os moderadores online presentes em todos os espaços e monitorando cada passagem de ambiente não é difícil uma armadilha para o “jogador”. E aconteceu ao meu Penguin boy que foi convidado para um encontro escuso em lugar deserto. Senti-me imensamente constrangida diante da mocinha amorosa e cheia de coraçãozinho. Para livrar-me dela, o providencial So? Then? Diante do silêncio, dei o fora na velocidade de um clique, não sem antes desperdir-me, gentilmente, com o I'll see u later. Foi assim que, com grande alívio, percebi a trap. Outra experiência diz respeito a um Penguin brasileiro entrevistado no Orkut, no momento em que me identifiquei ele desapareceu e até hoje não o reencontrei, embora não o tenha procurado intencionalmente.

Esta preocupação com os moderadores é que fica pairando como uma ameaça para o momento em que o ClubPenguin tiver site no Brasil, em Português. De que forma eles seriam selecionados e aonde seriam recrutados. O rigor no perfil psicológico, formação moral são importantíssimos e qualquer descuido é preocupante ameaça à segurança das nossas crianças e jovens. Conheci a delicadeza das equipes quando querem sair do ar e ainda há usuários online. Todas as vezes em que o fato aconteceu a sutileza foi absolutamente irretocável como as diferentes estratégias usadas. Coisa mesmo de profissionais!

Constatei que o mundo real pode ser transportado para o virtual servindo de praça de prática para os exercícios mais básicos dos comportamentos de convívio civilizado. Práticas estas que os pais se esquecem de ensinarem aos seus filhos e que grande parte do pais também se esqueceram de como lhes foi ensinado.

 

 

( * ) Executiva do Domínio Feminino.

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