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Nos meus cinco meses
de vida dentro do ClubePenguin.com não posso entender
como pessoal acadêmico brasileiro das áreas de psicologia
e pedagogia ditos “autoridades no assunto” possa emitir algum
juízo de valor, como acompanhei em artigos pela internet sobre
o ClubPenguin, apenas por terem ouvido falar. Não há a mais
remota possibilidade de que alguém que desconheça o funcionamento,
a dinâmica do CP possa emitir parecer de credibilidade sem
ter se aprofundado com a experiência. Chega a ser irresponsável.
Seria necessário que eles se debruçassem por meses e com muita
assiduidade e atenção para ter alguma noção do que é aquele
site visto apenas como um entretenimento por meio de joguinhos.
Nestes meses, de
Dezembro/2007 até de Abril deste 2008 tenho vivido as alegrias,
ansiedades, expectativas e também experimentei o tédio que
acompanha o pós-evento. Vivi pouco o lazer dos jogos. Trabalhei
arduamente para conseguir meus coins que proporcionavam
minha independência financeira. Atingi um total de 300.000
no cômputo geral e, desses, tenho ainda um lastro de 92.0000
mil coins para garantir eventual ausência de conexão de internet.
Diverti-me sim, com muitos convites para festas em Igloos,
diverti-me com meu bistrô e com meus funcionários. Emocionei-me
com as festas principalmente os festejos do St. Patrick’s
Day. Diverti-me com minha ansiedade para imaginar o que seria
e aonde estaria escondido o Pin da semana. O chapéu de St.
Patrick como seria o modelo deste ano e aonde ele estaria
?
Todos os exercícios
e experiências que fiz foram extremamente prazerosas. Bem
rápido percebi que a total participação e capacidade
de tomar iniciativas são sempre bem aceitas o que torna o
Penguin bem conceituado e querido naquela Terra. Uma experiência
bem simpática foi quando estava pronto o veículo submarino
para o resgate das peças do navio de Rockhopper. Eu já havia
ganhado meu Pin ao conseguir resgatar todas as peças no fundo
do Oceano e resolvi postar-me à porta do veículo para dar
boas-vindas a todos e desejar boa-sorte.
Porque a única maneira
de tomar conhecimento das origens, eventos e fatos na Ilha
ClubPenguin é através da leitura do jornal local, no convívio
do site, dificilmente os Penguins precisam de informações
sobre segredos de eventos ou locais. Uma das minhas experiências
foi exatamente esta. Postei-me na escada do Stage da
Lighthouse informando a todos os que subiam procurando
pelo Pin da semana para em seguida entender que não estava
prestando um bom serviço. Compreendi que era necessário que
cada um encontrasse por si mesmo. Melhor teria sido se eu
tivesse organizado um grupo de "caça ao pin".
A mais recente foi
deliciosa. Quando aportei na Town, cumprimentei a todos
com o Hi everyone e um aceno de flipper para
em seguida ir direto para meu Igloo e esconder-me de forma
que não conseguissem me localizar. Do meu refúgio enviei cartões
para todos os que me visitavam mesmo sem me localizar. A experiência
foi ótima porque de repente meu Igloo começou a receber inúmeras
visitas e eu ia editando o Igloo à medida em que a comunicação
ia se estendendo. Gastei uma fortuna em Coins só para enviar
mensagens. O normal, neste caso, seria dar boas-vindas e agradecer
pela visita usando o menu ou a digitação na barra de chat.
Oferecer um lunch com pizza, caneca de café, sorvetes ou torta.
Preferi essa brincadeira de esconde-esconde. Outras vezes
já havia feito esta brincadeira sem planejar e o resultado
foi muito divertido. Apenas usando os emoticons o Penguin
do outro lado foi acompanhando e desenvolvendo uma comunicação
admirável.
Com três replicantes
diferentes montados, também, com perfis psicológicos
diferentes
experimentei ser criança e adolescente,
menino e menina. Em dois deles impus-me a dificuldade de não
abrir o chat e comunicar-me apenas pelo menu, emoticons em
teclas de atalho – que os CPs entendem como bug do programa
) e com movimentos de cliques de mouse além de ter descoberto
um especial aceno de flipper nas teclas de atalho. Minha replicante
mais exuberante, pelo nick, causou uma certa apreensão nos
moderadores e em outros replicantes. Só com ela pude ser,
verdadeiramente, meu replicante. Com os outros dois, uma criança
e o adolescente meninos precisei de muito esforço e atenção
constantes. Com os moderadores online presentes em todos os
espaços e monitorando cada passagem de ambiente não é difícil
uma armadilha para o “jogador”. E aconteceu ao meu Penguin
boy que foi convidado para um encontro escuso em lugar deserto.
Senti-me imensamente constrangida diante da mocinha amorosa
e cheia de coraçãozinho. Para livrar-me dela, o providencial
So? Then? Diante do silêncio, dei o fora na
velocidade de um clique, não sem antes desperdir-me, gentilmente,
com o I'll see u later. Foi assim que, com grande alívio,
percebi a trap. Outra experiência diz respeito
a um Penguin brasileiro entrevistado no Orkut, no momento
em que me identifiquei ele desapareceu e até hoje não o reencontrei,
embora não o tenha procurado intencionalmente.
Esta preocupação
com os moderadores é que fica pairando como uma ameaça para
o momento em que o ClubPenguin tiver site no Brasil, em Português.
De que forma eles seriam selecionados e aonde seriam recrutados.
O rigor no perfil psicológico, formação moral são importantíssimos
e qualquer descuido é preocupante ameaça à segurança das nossas
crianças e jovens. Conheci a delicadeza das equipes quando
querem sair do ar e ainda há usuários online. Todas as vezes
em que o fato aconteceu a sutileza foi absolutamente irretocável
como as diferentes estratégias usadas. Coisa mesmo de profissionais!
Constatei que o
mundo real pode ser transportado para o virtual servindo de
praça de prática para os exercícios mais básicos dos comportamentos
de convívio civilizado. Práticas estas que os pais se esquecem
de ensinarem aos seus filhos e que grande parte do pais também
se esqueceram de como lhes foi ensinado.
(
* ) Executiva do Domínio
Feminino.
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