Maravilhosos polímeros
Sua roupa íntima já foi à guerra.
Nesses
casos a briga sempre é grande, coisa para cães de grande porte
porque no fim das descobertas todo mundo quer a autoria da descoberta.
Em The history of Polythene ( A história do polietileno),
1960, J.C. Swallow escreveu:
'Conforme o tempo passa, qualquer história tende a se
tornar idealizada e a ser apresentada de uma maneira que sugere
um progresso contínuo e lógico, desde o início do programa
de pesquisa até a descoberta e desenvolvimento do produto.'
E assim
é. Todas essas descobertas de tecidos inteligentes parecem que
foram inventadas assim do nada, de repente. Não foram simplesmente
inventadas: aconteceram todas por acaso, no princípio de tudo
e já há muito, muito tempo.
Nossas
meias de náilon, o primeiro resultado das descobertas científicas
que resultou em fibras para o vestuário feminino, para
o nosso lindo corpo, foram à guerra.
Wallace
Hume Carothers foi convidado pela Du Pont para dirigir um programa
básico de pesquisas em química. A recomendação vinha de Harvard.
O cientista iniciou um programa de pesquisa objetivando compreender
melhor a composição de polímeros naturais como a celulose, a seda
e a borracha; com isso ele pretendia reproduzir em laboratório
a estrutura química dos elementos para obtê-los de forma sintética.
Com isso baratearia os custos dos produtos finais. Até 1934 muita
coisa já havia sido feita com os resultados das pesquisas.
Contudo,
o principal que era conseguir obter a sintetização da seda parecia
ter fracassado. Bom, os assistentes de Wallace brincando no laboratório
provocaram um acidente e desse acidente nasceu o sucesso da Feira
Mundial de 1939 quando o Nylon foi apresentado como a seda sintética
feita de carvão, ar e água!
O nylon,
um tipo de poliamida com estrutura semelhante à da seda, havia
sido desenvolvido e parecia não ter nenhuma propriedade útil e
foi posto de lado, numa estante, sem ser patenteado. O trabalho
continuou até a série do poliéster que alavancou produtos mais
solúveis, mais fáceis de manusear.
Aconteceu
que durante o trabalho com um desses materiais, Julian Hill percebeu
que se ele juntasse uma pequena bola do material, o polímero,
na extremidade de um bastão de vidro e esticasse a massa de polímero,
ele se alongaria como um fio. Dizem que um dia, quando o chefe
da equipe de pesquisa ausentou-se, o resto da equipe tentou avaliar
o quanto aquela fibra poderia ser esticada; e foi o que fizeram
percebendo que o fio apresentava a aparência da seda. Mas a descoberta
ficou por conta da surpresa maior que foi corroborar que eles
próprios estavam orientando as moléculas do polímero e aumentando
a resistência do produto.
Algumas
falsas descobertas os fizeram deixa de lado a pesquisa e se voltaram
para as poliamidas abandonadas. Só que com o desenvolvimento viram
que também essas poderiam ser estiradas a frio para terem sua
resistência à tração aumentada a ponto de elas se tornarem excelentes
materiais têxteis.
O caminho
foi um verdadeiro ziguezague, idas e voltas até chegar-se ao nylon
já definido como fibra sintética também para uso têxtil. Os náilons
foram colocados à venda com o nome de Dracon - com o qual são
fabricados os CD's fitas magnéticas de áudio e passar para as
nossas meias-calças. O sucesso aconteceu na Feira de Nova Iorque
em 15 de maio de 1940 e quatro milhões de pares de meias foram
vendidos nas primeiras horas.
Mas a
alegria das mulheres da década não durou muito tempo, porque logo
em seguida iniciava-se a Segunda Guerra e as mulheres foram estimuladas
a fazerem doações de suas meias para a confecção de pára-quedas
para as Forças Armadas americana.
A atriz
e estrela do cinema americano, Betty Grabel leiloa suas meias
de náilon por quarenta mil dólares por ocasião do comício em adesão
à guerra.
De lá
para cá, os avanços tecnológicos permitem que cada vez mais que
também a indústria têxtil avance nas transformações do cotidiano
dos nossos lares e da nossa maneira de vestir. Para qualquer lado
que olhemos, lá estão os polímeros
Judith Arrh
e-mensagem
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