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A
verdade sobre a invasão da
Fazenda
São Vicente
Passira
- PE
Raymundo Wilson Barboza Braga
03, Janeiro/2005
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Leia
nosso Editorial
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A verdade sobre
a invasão da Fazenda São Vicente, em Passira, Pernambuco.
Depois de aproximadamente um ano, devido às duas mortes
dos integrantes do MST, eu e minha família estamos sendo
acusados de adotar a prática de realizar despejos com grupos
paramilitares, e de ter baleado um integrante do MST.
Meu nome é Raymundo
Wilson Barboza Braga. Sou brasileiro, nordestino, pernambucano
com muito orgulho, estudante e filho de um dos 3 donos da
propriedade São Vicente, localizada no município de Salgadinho,
que foi invadida em 2003 pelos integrantes do acampamento
do MST Carlos Maringhella.
Sou mais uma das
verdadeiras vítimas do terrorismo, junto com a minha família.
O MST invadiu e ocupou a Fazenda São Vicente por quatro
meses. Nesse período, eles não sofreram nenhuma ameaça nem
agressões por parte dos donos da Fazenda. Logo depois da
invasão, a minha mãe, irmã e tia foram obrigadas a entrar
na própria casa para fazer a remoção forçada de seus pertences.
Existiam na casa duas armas QUEBRADAS (registro na delegacia
de Salgadinho), as quais foram RETIRADAS PELOS INTEGRANTES
DO ACAMPAMENTO, e devolvidas em seguida.
Meu
pai foi obrigado a vender seus bois e cavalos, sob ameaça
de que se ele não os vendesse, os perderia. Nesse período
de quatro meses, os integrantes do acampamento Carlos Maringuella
ocuparam todas as dependências da fazenda, deixaram contas
de água e energia elétrica altíssimas para meu pai pagar,
destruíram todas as plantações da Fazenda, arrombaram o
escritório do meu pai e roubaram tudo, inclusive vários
livros manuscritos, que ele ainda não havia publicado; roubaram
centenas de objetos da fazenda (lista dos objetos roubados
na delegacia de Salgadinho), destruíram uma reserva florestal
permanente que pertencia ao IBAMA (e estão sendo processados
pelo IBAMA por isso), violaram um mausoléu dos antepassados
do meu pai em busca de dentes e objetos de ouro, entre outras
ocorrências.
Depois de quatro
meses, meus pais conseguiram o mandado de reintegração de
posse, e o meu pai gastou todo o dinheiro que conseguiu
arrecadar com a venda dos bois e cavalos alugando vários
caminhões para deixar os pertences dos sem-terra e os sem-terra
onde eles queriam. Quando o último caminhão estava saindo,
uma integrante falou:
-"A gente vai hoje mas volta amanhã..."
Nessa mesma noite,
eu e meus pais passamos a noite em nossa casa. No dia seguinte,
e durante três dias consecutivos, eu e meus pais fomos aterrorizados
pela guerra psicológica dos integrantes do acampamento Carlos
Maringuella, que acamparam a uma distância de 300 metros
da fazenda, num campo de futebol do povoado chamado Pedra
Tapada, no município de Passira, que fica em frente à Fazenda
São Vicente. Entre outras ameaças, os integrantes do MST
disseram que iam esquartejar meu pai e pendurar o corpo
dele na porteira.
Meus pais ficaram
aterrorizados, e pediram ajuda a todos os juízes e delegados
da região, os quais autorizaram escolta da polícia militar
em tempo integral, até que os integrantes do MST parassem
de ameaçar minha família. Depois de 4 dias, os integrantes
do acampamento Carlos Maringhella tentaram reinvadir a Fazenda
São Vicente, munidos de foices, facões, enxadas e armas
de grosso calibre (chamadas garruchas). Fomos obrigados
a defender a nossa casa, a nossa vida, a nossa integridade
física, os nossos direitos civis garantidos pela constituição.
Nessa tentativa de reinvasão, um dos integrantes do MST
foi baleado.
Os integrantes do
MST são totalmente responsáveis por esta ocorrência, pois
foram eles que vieram, às centenas, atentar VIOLENTAMENTE
contra mim e a minha família, e acabaram por ferir de raspão
um de seus próprios integrantes. Decorridos aproximadamente
3 dias dessa tentativa de reinvasão, eu e meus pais já estávamos
completamente esgotados fisicamente e psicologicamente,
devido às constantes ameaças dos integrantes do MST.
Nessa noite, a filha
de um dos moradores antigos da fazenda veio correndo avisar
que os integrantes do MST iriam reinvadir a fazenda por
todos os lados, nessa mesma noite. Nesse momento, eu disse
para os meus pais que eles deveriam voltar para o Recife,
mas eu continuaria ali, para defender a MINHA CASA. Mas
eles disseram que o maior tesouro que eles tinham era eu,
e nós fugimos da nossa própria casa, sob gritos histéricos
de vitória no acampamento do MST. A partir deste dia, eu
entrei em depressão profunda, mas já estou curado.
O fato é que eu
e a minha família já estávamos com o documento de reintegração
de posse nessa data; estávamos sob escolta da polícia militar
em nossa própria residência, devido às ameaças do MST; a
Fazenda está muito abaixo do limite mínimo de área para
reforma agrária (a Fazenda tem 123 hectares); a propriedade
está sob inventário (e não poderia nunca ser violada); nunca
foi um latifúndio improdutivo; sempre ajudamos os moradores
da fazenda, sem cobrar nada pelo que eles plantavam na propriedade;
tinhamos todos os impostos e taxas da propriedade rigorosamente
atualizados e pagos. Agora, depois de aproximadamente um
ano, devido às duas mortes dos integrantes do MST, ocorridas
no município de Passira, eu e minha família estamos sendo
acusados de adotar a prática de realizar despejos com grupos
paramilitares, e de ter baleado um integrante do MST.
Desafio quem quer
que seja a provar que tudo que eu falei não é verdade.
Justiça seja feita,
Excelentíssimo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.